O diretor de informação da TVI disse esta quinta-feira que a estação de televisão avançou com a notícia sobre a resolução do Banif tendo por base "fundamentalmente" fontes documentais, defendendo a veracidade da mesma. Sérgio Figueiredo assegura que se se tivesse sentido instrumentalizado pela fonte por uma informação falsa, tê-la-ia denunciado publicamente. 

"Recebi contactos na minha redação com fontes fundamentalmente documentais. Havia um prazo para fazer a venda ou a resolução"

Sérgio Figueiredo respondeu aos deputados na comissão de inquérito ao Banif, durante quase quatro horas. Para o jornalista, é um "insulto à inteligência dos portugueses achar que algo que aconteceu durante quatro anos e que provocou um rombo da dimensão que sabemos, de 3 mil milhões de euros, pode ser assacado a um rodapé e a uma notícia que, na sua substância, está intocável".

"Se eu, como diretor de informação, nós Direção de Informação, percebêssemos que a estação tinha sido utilizada como instrumento do que quer que seja para atingir os fins que fossem através de uma informação falsa, nós, em antena, perante os nossos espectadores, faríamos a denúncia da fonte"

O diretor de informação da TVI defendeu que "o jornalismo cumpriu a sua função" e assumiu que a única coisa de que se arrepende é de, naquela noite em que o canal avançou com a notícia, não ter parado a emissão desportiva que estava a decorrer, para dar lugar a uma emissão especial sobre o Banif. As atualizações que foram sendo feitas, recorde-se, tiveram lugar no ticker de notícias (o rodapé na televisão) e no site da TVI24.

Sérgio Figueiredo lembrou, por outro lado, que o governador do Banco de Portugal enviou uma carta ao ministro das Finanças dias antes de a notícia ser dada, na qual admitia que a resolução era a única saída.

Recordou, também, que a própria Maria Luís Albuquerque assumiu que teve, enquanto ministra das Finanças, mais de 200 reuniões sobre o Banif e que não se encontrou nenhuma solução. E o que acabou mesmo por acontecer foi a resolução do banco.

Fez notar, igualmente, que o comunicado do Banco de Portugal sobre o Banif, dia e meio depois da notícia, "não desmentiu" a notícia da TVI. "É um pouco abusivo atribuir à notícia da TVI tudo o que aconteceu durante o resto da semana", defendeu. Sérgio Figueiredo considerou que os depositantes estavam a "resguardar-se de factos e não de notícias" quando levantaram o seu dinheiro do banco.  

"Não houve desmentido também, na minha modesta opinião, porque a notícia estava certa e as autoridades não quiseram cometer o mesmo erro que toda a gente cometeu no BES, que à véspera de atos importantes como aumentos de capital, andavam a garantir a todos, depositantes e investidores, que estava tudo bem com o banco, que o problema era o grupo, e deu no que deu", acrescentou.

O diretor de informação da TVI adiantou, por outro lado, que a estação televisiva já estava a investigar o caso Banif desde que o na altura líder do PS, António Costa, revelou que a coligação PSD/CDS escondia uma "surpresa desagradável" dos portugueses.

"A notícia surge em primeiro lugar de um caso que andava a ser investigado há muito tempo. A partir do momento que o atual primeiro-ministro anunciou ao país uma ‘surpresa muito grave' que estava para aparecer, julgo que em outubro, em entrevista à TVI"