O novo simulador da Segurança Social estará a dar informação relevante a milhares de trabalhadores, mas não está acessível a quem poderia ser mais útil. As pessoas que já pediram a pensão e que vão ter de decidir nos próximos meses se aceitam reformar-se por determinado valor - ou se esperam mais um pouco em troco de uma pensão mais alta - não têm acesso ao simulador.

A informação foi avançada ao Negócios por vários leitores que inicialmente não percebiam porque é que, quando entravam na Segurança Social Directa através do seu número de identificação, o simulador não aparecia.

O Negócios questionou o Ministério da Segurança Social sobre as restrições no acesso ao simulador pela primeira vez a 10 de Maio, colocando as seguintes questões: o problema é técnico ou foi uma decisão de quem desenhou o simulador? E nesse caso com que objectivo? Esta segunda-feira, 21 de Maio, fonte oficial respondeu que as pessoas são informadas "dos cálculos reais e respectivo valor da pensão" através do ofício que lhes é enviado (e que já o era) a perguntar se querem ou não aceitar a pensão no prazo de 30 dias. "Não se trata, por isso, de uma simulação, mas sim do valor final da pensão caso mantenha a intenção de avançar com o processo", diz fonte oficial.

O Governo não esclarece quantas pessoas estão sem acesso ao novo simulador. Sabe-se que no ano passado houve uma corrida anormal às reformas (houve, por exemplo, mais de 20 mil pedidos de pensões antecipadas). Além disso, a avaliar por um dos casos que nos foram relatados, quem pediu a pensão no passado (em 2015) e entretanto a recusou, também não tem acesso.