O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, afirmou esta terça-feira que vai haver um novo programa de ajuda financeira para a Grécia.

Schauble afirmou, durante um evento de campanha eleitoral perto de Hamburgo, que «a Grécia vai ter necessidade de um novo programa», acrescentando ainda que tal já havia sido afirmado perante a opinião pública, escreve a Lusa.

Poucas horas depois, o ministro grego das Finanças, Yannis Sturnaras, reagiu ao governante alemão ao desmentir a necessidade de um novo resgate financeiro: «Não, não estamos a falar desse tipo de coisas», afirmou, depois de uma reunião sobre as próximas reformas do Estado.

Sturnaras mostrou-se confiante de que Atenas vai cumprir atempadamente as suas obrigações para com o atual programa da troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional), o segundo, aprovado no ano passado.

Mas, de acordo com fontes das Finanças gregas citadas pela Reuters, um novo acordo está mesmo em cima da mesa, ainda que, segundo dizem, envolva montantes «muito inferiores» aos dois dois programas anteriores. O novo plano de resgate seria focado nos anos em que a Grécia apresenta maiores dificuldades de financiamento, de 2014 a 2016.

«A Grécia e os seus credores estão a estudar várias formas de cobrir as necessidades de financiamento que o país enfrenta nos próximos anos», afirmou a fonte, que pediu anonimato. As soluções, acrescentou, passam por usar os fundos remanescentes do programa de apoio à banca e outras medidas de apoio à dívida.

Em Frankfurt, o Banco Central Europeu (BCE), um dos membros da troika, anunciou que um dos seus membros, Joerg Asmussen vai visitar a Grécia esta quarta-feira para discutir os progressos feitos nas reformas necessárias para que o país continue a receber o dinheiro do resgate.

É que, no caso da Grécia, neste momento, os recursos assegurados pela troika já não cobrem as necessidades de financiamento do país até 2014, o que levanta problemas à execução das transferências prometidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), uma vez que a instituição apenas vai libertando as tranches quando tem garantias de que as necessidades de financiamento do país apoiado estão plenamente asseguradas para, pelo menos, os 12 meses seguintes.

As declarações de Schauble foram feitas no mesmo dia em que a chanceler alemã deu uma entrevista a um jornal local na Alemanha. Angela Merkel disse acreditar que não será necessário um novo perdão da dívida grega, ainda que tenha admitido que, apesar dos progressos feitos, muito tem ainda de mudar no país.

Merkel está a tentar não enfurecer os eleitores, que não encaram nada bem a hipótese de a Alemanha ter de ajudar a Grécia com mais dinheiro.