O Banco Santander Totta e o Montepio alertaram os investidores, no âmbito do lançamento de emissões de obrigações hipotecárias, para os riscos que as resoluções do Banif e do BES podem implicar para a generalidade dos bancos portugueses.

Nos prospetos de ambos os bancos relativos às operações, disponibilizados através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), são destacadas as intervenções das autoridades no Banco Espírito Santo (BES), em agosto de 2014, e no Banif, em dezembro de 2015, e das implicações que estes processos podem ter para os restantes bancos portugueses.

O Montepio referiu que, no âmbito da venda do Novo Banco (banco de transição resultante da intervenção no BES), "as futuras contribuições [para o Fundo de Resolução] permanecem incertas e vão depender largamente da verba que será paga no processo em curso de venda do Novo Banco".

"É impossível prever a extensão das potenciais consequências para o emitente [Montepio]", realçou.

Também o Santander Totta assinalou que "nesta altura não é possível assegurar se os procedimentos [relacionados com a venda do Novo Banco] vão ser suficientes ou não, e, no caso de não serem suficientes, o impacto específico e o montante de qualquer contribuição extraordinária do setor bancário português, incluíndo o emitente [Totta], é também incerto".

Já sobre a resolução do Banif, o Montepio destacou que "não se podem antecipar os detalhes sobre o potencial impacto que a resolução do Banif (...) pode ter sobre o emitente".

Por seu turno, o Santander Totta alertou igualmente para a incapacidade de prever neste momento o potencial impacto que a resolução do Banif poderá ter na instituição.

A 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal (BdP) anunciaram a resolução do Banif com a venda da atividade bancária ao Santander Totta por 150 milhões de euros e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não quis comprar.

Cerca de um ano e meio antes, a 3 de agosto de 2014, o BdP tomou o controlo do BES, depois de o banco ter apresentado prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades distintas.

No chamado banco mau ('bad bank'), um veículo que mantém o nome BES, ficaram concentrados os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas.

No 'banco bom', o banco de transição que foi chamado de Novo Banco, ficaram os ativos e passivos considerados não problemáticos.