A Comissão de Trabalhadores da Oitante, veículo que absorveu os ativos tóxicos do Banif, critica o "tratamento discriminatório" de que foram alvo os funcionários da sociedade, pedindo a sua integração no Santander Totta, CGD ou Banco de Portugal (BdP).

A entidade anunciou, esta sexta-feira, que vai enviar cartas a diversas entidades a solicitar reuniões, com caráter de urgência, "para exposição das preocupações quanto ao futuro dos trabalhadores que ficaram na Oitante, do injusto tratamento diferenciado e discriminatório de que foram alvo" e para "propor soluções" que conduzam à sua integração no Banco Santander Totta, Caixa Geral de Depósitos (CGD), Banco de Portugal ou outras empresas do setor empresarial do Estado.

Num comunicado enviado pela Comissão de Trabalhadores (CT) aos colaboradores da Oitante, a que a Lusa teve acesso, é possível verificar que as cartas vão ser dirigidas ao Governo (primeiro-ministro, ministro da Economia, ministro das Finanças e ministro da Solidariedade e Segurança Social), ao Provedor de Justiça e à administração do Banco Santander Totta.

Paralelamente, a CT vai promover a "realização de reuniões com o SBSI [Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas] e o SNQTB [Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários] para sensibilização destes sindicatos, os mais representativos dos trabalhadores da Oitante". O objetivo é denunciar as "fragilidades" da sua atual situação e a "insegurança quanto ao futuro".

A entidade quer também trabalhar em articulação com o SNQTB na queixa apresentada ao Provedor de Justiça e na ação conjunta "no sentido de pressionarem a administração do Banco Santander Totta para transferirem imediatamente para os seus quadros os trabalhadores do 'Balcão Central', no âmbito do integral cumprimento do acordo que resultou da aquisição da área comercial".

E revelou que nesta última ação também foi envolvida a Comissão de Trabalhadores do Santander.

A 20 de dezembro, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos – incluindo ‘tóxicos’ – para uma nova sociedade veículo designada Oitante.

A resolução foi acompanhada de um apoio público direto de 2.255 milhões de euros, mas o custo para os contribuintes pode atingir os 3.700 milhões de euros.