A Polícia Judiciária está a realizar buscas à família Espírito Santo e altos quadros do BES, apurou a TVI e, entretanto, a Procuradoria-Geral da República já confirmou. As imagens mostram que Ricardo Salgado acompanhou parte destas buscas.

A PGR indica, ao certo, que essas diligências incluem cinco buscas, bem com a concretização de arresto de bens.

Segundo o que a TVI apurou, a operação inclui casas, bens patrimoniais e escritórios ligados à família de Ricardo Salgado, o ex-líder do Banco Espírito Santo, como as casas que possui em Lisboa e arredores, bem como a Comporta. Também seu primo José Manuel Espírito Santo é outro dos visados. 

As buscas incidem, ainda, sobre outros altos quadros do antigo BES, como Morais Pires. Quatro carros e oito agentes com pastas na mão saíram da casa de Alenquer, pelas 12:50, testemunhou o repórter da TVI no local

 
           Ricardo Salgado, José Manuel Espírito Santo e Amílcar Morais Pires [Lusa]


advogado de Morais Pires deu conta aos jornalistas que as autoridades chegaram pelas 7:00 apenas para fazer a identificação de bens e ver documentos e computadores e que são procedimentos que demoram, daí as buscas terem durado seis horas. Não há indicação de que tenham de voltar ainda hoje ou noutro dia. 

O advogado anunciou ainda que  vai impugnar as ditas buscas, alegando que Morais Pires não está constituído arguido em qualquer processo e que isso é um requisito tanto para medidas de coação como, neste caso, para medidas de garantia patrimonial. Entende, por isso, que há um "vício" ao qual a defesa se opõe.  

TVI sabe também que não está prevista a constituição de arguidos nestas buscas.

A investigação está a ser levada a cabo em vários pontos do país, com as autoridades a identificar, assim, bens arrestados. 

Quando se avança para a identificação de bens móveis e para o arresto, a Justiça está a tentar prevenir que esses bens ficam guardados e, no caso de haver um julgamento e houver lugar ao pagamento de indemnizações, existe propriedade que pode ser valorizada, transformada em dinheiro para pagar aos lesados que venham a sair desses processos judiciais. 

Se o arresto de propriedades imóveis, como casas e terrenos, é feito de forma mais imediata, porque é levada a cabo pelo Instituto de Registos, no caso do arresto de bens móveis,  como automóveis e obras de arte, é preciso ir ao local, verificar o que existe e que valor pode ter. É o que está a acontecer hoje.

Em maio, recorde-se, foi notícia o   arresto de mais de 600 imóveis do Grupo Espírito Santo e vários milhões em produtos bancários. No total, as autoridades judiciais tinham recolhido, nessa altura, mais de mil milhões de euros.  
 

Caso BES: buscas continuam quase um ano depois


Foi também em maio a última vez que foram realizado buscas judiciais relacionadas com o 'Universo Espírito Santo' . A PJ efetuou diligências, ordenadas pelo juiz Carlos Alexandre, numa empresa, em Lisboa. 

As primeiras buscas ao Grupo Espírito Santo ocorreram a 24 de julho de 2014, dias antes do colapso do banco. Ricardo Salgado foi detido nesse dia e constituído arguido. 

O caso BES já deu origem à abertura de pelo menos quatro inquéritos que investigam possíveis crimes de burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal e branqueamento de capitais. 

Todos os inquéritos estão presentes no Departamento Central de Investigação e Ação Penal. As investigações contam com o apoio da PJ, da Autoridade Tributária, da CMVM e do Banco de Portugal. 

Quase um ano depois, já se realizaram buscas judiciais várias vezes, no âmbito desta investigação.

A comissão de inquérito ao BES/GES, que durou quatro meses, também veio trazer novas revelações sobre o que levou à derrocada de um dos, em tempos, maiores grupos empresariais e bancários em Portugal.