As mulheres do distrito de Lisboa ganham menos 18,5% por mês do que os homens e a desigualdade acentua-se em setores como o comércio, com 21%, e ao nível dos quadros superiores, com 26,7%, divulgou a CGTP.

De acordo com uma análise da CGTP, em Portugal as mulheres ganham, em média, menos 17,5% do que os homens com quem trabalham.

«No distrito de Lisboa, a desigualdade salarial entre mulheres e homens é ainda mais acentuada», afirma a Intersindical, num documento distribuído à imprensa.

A renumeração média mensal das trabalhadoras em Lisboa é 18,5% mais baixa do que a dos homens e 20,6% mais baixa se a referência forem os ganhos mensais, que englobam todas as matérias remuneratórias.

Os setores com maior número de mulheres a trabalhar são os que registam maiores desigualdades salariais entre os dois sexos.

É o caso do comércio por grosso e retalho, onde laboram 19,4% das trabalhadoras por conta de outrem do distrito de Lisboa e a desigualdade salarial entre mulheres e homens atinge os 21%.

A desigualdade salarial é também maior nos níveis de qualificação mais elevados, pois, nos quadros superiores, as mulheres recebem em média menos 26,7% do que os homens.

O mesmo acontece com as trabalhadoras mais velhas: as mulheres entre os 55 e os 59 anos ganham menos 30% do que os homens e as que têm mais de 60 anos ganham menos cerca de 40%.

As mulheres são também a maioria dos trabalhadores a receber o salário mínimo nacional, pois 17,5% das mulheres trabalhadoras ganham a remuneração mínima face a 9,4% dos homens.

De acordo com o mesmo documento divulgado pela União dos Sindicatos de Lisboa (USL) da CGTP, mais de uma em cada cinco mulheres do distrito de Lisboa estão desempregadas ou sub-ocupadas. Na região de Lisboa, a taxa de desemprego feminina é de 13,5% e 58% das desempregadas não recebem subsídio.

A USL/CGTP elaborou esta análise, que divulgou em conferência de imprensa junto à Assembleia da República, para assinalar o Dia da Igualdade Salarial.

A CGTP tem em curso a Semana da Igualdade, que decorre até domingo (Dia da Mulher) com iniciativas nos locais de trabalho e na rua, por todo o país, que contarão com a participação dos sindicatos da CGTP e das mulheres trabalhadoras dos vários setores de atividade.

Segundo Fátima Messias, dirigente da Inter que coordena a respetiva Comissão para a Igualdade, a Semana da Igualdade tem como objetivos a defesa de «emprego seguro e com direitos, aumento geral dos salários, salário igual para trabalho igual ou de igual valor e proteção social para todas as mulheres e homens desempregados».

As 35 horas de trabalho semanal, para todos/as, sem redução salarial, a reposição da universalidade do abono de família e a contratação coletiva como fonte de direitos e progresso social, são, de acordo com a sindicalista, outras das reivindicações em causa.