Os economistas Francisco Louçã e João Ferreira do Amaral lançaram na semana passada o livro «A solução novo escudo», partindo da hipótese de que Portugal saiu do euro no dia de ontem, mas sublinham que o fazem sem discutir se é ou não a melhor estratégia ou sequer a melhor solução.

«Admitimos simplesmente que pode vir a ser a solução imposta pelas circunstâncias e que, caso se torne inevitável, Portugal deve ser capaz de tomar as melhores decisões, que queremos estudar e sugerir ao debate público sem mais demora», sublinham.

Isto porque, segundo os autores sublinham na introdução da obra, «ambos reconhecemos que, por imposição externa ou por imperativo de escolha nacional, a saída do euro pode vir a ocorrer em prazos porventura curtos».

Enquanto João Ferreira do Amaral tem defendido a saída do euro como a medida necessária para resgatar Portugal, Francisco Louçã tem defendido a reestruturação da dívida como a medida prioritária para articular uma maioria e uma resposta às dificuldades imediata

Os dois convergem, no entanto, na ideia de que é preciso um plano de contingência. «Estamos profundamente convencidos de que a estratégia da austeridade, antes e depois da troika, não tem nenhuma viabilidade e de que os factos o comprovam. Assinalamos com toda a ênfase que a desvalorização interna da economia, como nos tem sido imposta, não é nunca uma forma de substituir uma desvalorização cambial, quando esta não é possível», advogam.

Aliás, para os responsáveis, é o próprio futuro da zona euro que está em causa, sublinhando que os riscos são muitos. A próxima crise financeira mundial, para este dois economistas, vai encontrar uma zona euro muito debilitada.

Entre as vantagens de regressar aos escudo, defendem, estão o estímulo do crescimento económico baseado na produção de bens transacionáveis, a capacidade de garantir que o Estado não falhe os compromissos internos, e melhorar o financiamento bancário da atividade económica, ao melhorar a situação das contas externas do país.

Mas também há desvantagens, sublinham: a principal é a aceleração da inflação nos primeiros anos a seguir à saída da moeda única, em virtude do impacto interno da desvalorização cambial.