O tempo não corre de feição nem Alvalade e nem na bolsa para o Sporting SAD. Embora cotadas no PSI20 Geral e com fraco volume, as ações da SAD leonina caem quase 8% para 0,7 cêntimos esta quarta-feira.

“As ações do Sporting estão a sentir-se embora com pouco volume nas transações. Apenas 252 euros foram hoje negociados em bolsa”, disse Tiago Cardoso, gestor na XTB.

Já os empréstimos obrigacionistas andam em uma roda-viva. Sendo certo que nem os obrigacionistas vão para já receber juros, nem se sabe quantas emissões vai conseguir fazer a SAD, se fizer.

Para já o que ainda está em cima da mesa é a possibilidade de um empréstimo obrigacionista de 15 milhões de euros a uma taxa de juro de 6% ao ano.

Isto a fazer valer a decisão da assembleia-geral do dia 11 de maio.

Adicionalmente, no contexto do processo de análise de alternativas com vista à gestão dos seus recursos financeiros, o conselho de administração analisou a possibilidade de proceder, a breve prazo, à emissão de um outro empréstimo obrigacionista, destinado ao financiamento da sua atividade corrente, designadamente ao cumprimento de serviço de dívida e tesouraria, no montante inicial de 15 milhões de euros, que poderá ser aumentado por opção da sociedade, desde que, no conjunto das emissões obrigacionistas, a realizar até ao final do ano de 2018, não seja ultrapassado o montante total de 60 milhões de euros”, diz o comunicado de a SAD publicado no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Nesse dia, antes do caos atual, a assembleia-geral do Sporting SAD tinha também decidido “aprovar a alteração da data de reembolso das obrigações de 25 de maio de 2018 para 26 de novembro de 2018, autorizando, em consequência, a alteração das cláusulas denominadas “PRAZO DO EMPRÉSTIMO” e “REEMBOLSO” da Ficha Técnica das Obrigações.”

Assim sendo, o “PRAZO DO EMPRÉSTIMO: 3 anos e meio. REEMBOLSO: O reembolso das obrigações far-se-á ao valor nominal, de uma só vez, em 26 de Novembro de 2018.”

Na mesma reunião ficou decido que, para pagar os juros desta emissão que, agora, passa a vencer a 26 de novembro, é intenção do conselho de administração “que o reembolso das obrigações seja efetuado com os fundos obtidos no âmbito de uma nova oferta pública de subscrição de obrigações, cuja emissão deverá ter lugar no último trimestre de 2018.”

Contas feitas, e dado o atual contexto, se tudo ainda se mantiver, haverá agora uma emissão de 15 milhões de euros e uma outra, no último trimestre de 2018, para pagar juros obrigacionistas de vencem a 26 de novembro. Fica por saber se o clube vai precisar de mais, desde que não perfaça os tais 60 milhões.

Tiago Cardoso não esconde que qualquer emissão, neste momento, pode ter menos sucesso: “Claro que neste momento o ambiente que se vive em torno da equipa de futebol, e isso é principal dínamo do clube, e o mais importante da SAD, traz também problemas no que é o financiamento."

Mesmo assim o gestor da XBT está confiante: "tendo em conta que estes empréstimos obrigacionistas são sempre alvos de rollovers [operação que consiste na extensão de um contrato financeiro, para lá da sua data de vencimento inicialmente fixada] constantes, pela sua perpetuidade – andamos nisto há mais de 10 anos – não vai haver problema na procura. Uma taxa de juro de 6% para um produto que, muito provavelmente, vai sofrer um novo rollover aqui a 3 anos, não creio que traga problemas.”