A proibição imposta pela Rússia à importação de produtos agroalimentares europeus vai ter um «impacto relevante» para Portugal, já que este é o quinto mercado dos produtos nacionais, admitiu esta quinta-feira o secretário de Estado da Agricultura.

Rússia bane fruta, vegetais, carne e peixe oriundos da UE

«UE reserva-se ao direito de tomar medidas contra embargo russo»

Em declarações à Lusa, o secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar, Nuno Vieira e Brito, sublinhou que a Federação Russa é o 15.º destino das exportações agroalimentares, representando cerca de 50 milhões de euros anuais, pelo que as empresas portuguesas vão ressentir-se das sanções.

«Tendo em conta que a Rússia é um destino importante para as nossas empresas, com certeza tem um impacto relevante para o nosso agroalimentar», reconheceu.

A expectativa de crescimento das exportações para aquela região era de 10% (até maio de 2014 face ao período homólogo), mas o Governo pretende agora ajudar as empresas «a diversificar os mercados», depois de a Rússia ter decretado a proibição de importar produtos alimentares de países europeus e dos Estados Unidos, em resposta às sanções que lhe foram impostas.

A proibição, com a duração de um ano, aplica-se à carne de vaca, porco e aves, ao peixe, ao queijo e ao leite, aos legumes e às frutas produzidos nos Estados Unidos, na União Europeia, na Austrália, no Canadá e na Noruega.

No caso português, a carne de porco, que representa cerca de 6,7 milhões de euros, o peixe e pescado, os lacticínios, as tripas e a horticultura são os produtos mais afetados pelas sanções, adiantou o governante.

«São produtos que para serem exportados têm de ter atestados fitossanitários passados pelas autoridades competentes de cada um dos países», destacou, acrescentando que ainda não houve um contacto oficial das autoridades russas sobre esta matéria.

A Federação Russa está integrada numa União Aduaneira, que conta também com a Bielorrússia e o Cazaquistão, pelo que não será possível exportar para nenhum destes países.

Quanto a eventuais novos mercados, nada está definido: «Vamos auxiliar as empresas em função do que é relevante, vamos aguardar os tempos mais próximos para depois tomar as decisões mais adequadas», declarou.

Em 2013, as exportações de produtos agrícolas europeus para a Rússia representou 11,8 mil milhões de euros, correspondentes a 9,9% do total de exportações da UE para a Rússia.

Em fevereiro, a ministra Assunção Cristas, afirmou que existiam já 70 empresas do setor agroalimentar a exportar para a Rússia e pedidos de autorização para mais 44.