O presidente da TAP, Fernando Pinto, considera que a companhia aérea é usada, em Portugal, “como arma de arremesso político”, uma vez que sentiu uma mudança de opinião nas declarações do presidente da Câmara do Porto, acerca da suspensão de quatro rotas a partir do aeroporto Sá Carneiro. Antes do anúncio público da decisão, Fernando Pinto ressalvou que falou com Rui Moreira acerca da estratégia e intenção da empresa.

“Nós fomos conversar com o presidente da Câmara do Porto por respeito ao mercado como um todo. Depois, prosseguimos a falar também com outras entidades. Aí nós comunicamos a redução dos quatro destinos – a par dos oito que íamos reduzir em Lisboa – e tratava-se de uma reestruturação, comunicamos que íamos manter os voos de longo curso e depois falamos também da parte da ponte aérea. E principalmente a ponte aérea foi muito aplaudida”, afirmou Fernando Pinto em entrevista à TVI.

Para surpresa de Fernando Pinto, pouco tempo depois, Rui Moreira “iniciou esta guerra". "Mas o que é que eu vou fazer? É a política. Infelizmente a TAP é usada, já há muitos anos, em Portugal, como arma de arremesso político”, afirmou o presidente da empresa.

Fernando Pinto disse que, após toda a polémica, ainda não teve mais nenhuma conversa com Rui Moreira, mas que está disponível para tal. No entanto, a par da disponibilidade para novas conversas, surgiram críticas mais duras à atitude do autarca. 

“Ele é o Presidente da Câmara de um dos grandes mercados nossos e nós queremos sempre atendê-lo sempre da melhor forma possível, mas uma coisa é importante: eu acho que ele foi muito infeliz numa frase, quando disse que pretendia e não ia descansar enquanto não causasse o maior dano à TAP. Isso foi muito infeliz. As treze mil famílias que trabalham para a TAP agradecem. Ele não tem ideia do que é a nossa batalha do dia a dia para conseguir manter esse lugar que nós temos no mercado europeu”.

As polémicas em que a TAP tem estado envolvida nos últimos meses (privatização e suspensão de rotas) chegou mesmo a gerar um movimento de apelo de boicote à TAP, mas Fernando Pinto diz que isso não se refletiu nos números da companhia aérea.

“Claro que não. Eu acho que a relação com a TAP é uma relação de amor, que não tem ódio. As pessoas dão preferência à TAP, sem dúvida nenhuma. Nós temos consciência disso e mais do que tudo: temos um imenso respeito pelo Porto”.

Impacto Brasil

Fernando Pinto ressalvou também nesta entrevista que a estratégia da TAP está em execução, mas que o Brasil está a merecer atenções por parte da companhia aérea, devido ao impacto que a crise política está a ter nas viagens.

"O impacto é enorme, é muito grande. Estamos a sofrer muito com isso. A venda no Brasil nos últimos seis meses reduziu 40%. Nós conseguimos repor com o mercado europeu uma boa parte, mas a queda no volume total fica nos 15%, o que é muito pesado para nós".

 

E as estimativas não são de melhoria. "O Brasil está a passar por uma crise económica e política, mas o Brasil vai acordar, é um gigante que de vez em quando tem as suas dificuldades mas ele volta. Acredito muito naquele país", concluiu.