O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, defendeu hoje que o acordo sobre as interconexões das redes energéticas permite contornar a fragilidade da dependência europeia face ao gás russo e é uma oportunidade para empresas portuguesas e espanholas.

O acordo alcançado no final da semana passada pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia é «fundamental para a criação de um efetivo mercado europeu de energia e estratégico para a diversificação das fontes de abastecimento da Europa, que poderá assim reduzir a sua dependência no futuro em relação ao gás russo, uma fragilidade que se tornou evidente com a atual crise da Ucrânia», sublinhou hoje Rui Machete durante um almoço de empresários promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola (CCILE), em Lisboa.

O governante salientou que para Portugal e Espanha, «esta é uma oportunidade única para dinamizar a exportação da eletricidade produzida a partir de fontes renováveis e o abastecimento de gás à Europa através do gás proveniente do norte de África ou dos Estados Unidos, potenciando e rentabilizando as infraestruturas já existentes, designadamente o porto de Sines».

Rui Machete defendeu que as empresas têm nesta área «uma oportunidade para o acesso ao mercado de energia, num patamar de equidade, em maior convergência com o restante mercado da Europa Central, o que representa um novo paradigma de competitividade para as empresas portuguesas e para as empresas espanholas».

O compromisso alcançado pelo Conselho Europeu contempla o objetivo indicativo de aumentar em pelo menos 27% a eficiência energética e 15% para as interconexões, com vista à criação de um verdadeiro mercado de energia na UE, objetivo que era defendido por Portugal.

Machete apela para união de empresas portuguesas e espanholas

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, também exortou hoje as empresas portuguesas e espanholas a aprofundarem a cooperação para chegarem a mercados como a América Latina e África, contando com o apoio dos governos dos dois países.

«Temos de aproveitar o potencial de cooperação entre as empresas dos dois países, para que estas tirem partido das inúmeras oportunidades de negócio que se podem identificar em mercados de forte crescimento, como a América Latina ou a África, espaços de atuação natural para as nossas empresas e nas quais uma abordagem conjunta pode constituir uma evidente mais-valia», defendeu hoje o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, durante um almoço de empresários promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola (CCILE), em Lisboa.

O governante sublinhou a necessidade de «dar esse passo em frente» para «criar um ambiente de cooperação empresarial abrangente, dirigido pelos interesses e motivações identificadas pelo setor empresarial, mas que possa contar com o apoio potenciador dos respetivos governos, que estimule a formação de verdadeiras e múltiplas parcerias empresariais luso-espanholas».

O ministro considerou que, apesar das profundas relações económicas entre Lisboa e Madrid, há um «enorme potencial de incremento das relações empresariais».

«Devemos incentivar uma maior partilha de informação entre as empresas e administrações dos dois países», argumentou.

Para Machete, «as empresas devem incentivar os governos a adotar reformas» políticas, nomeadamente a nível de infraestruturas, energia ou transportes, «mas também em termos de políticas reguladoras ou de apoio ao investimento e à internacionalização».

Os executivos devem ainda criar uma «maior complementaridade entre as legislações, em prol da melhoria de condições favoráveis ao investimento e à internacionalização».

Sobre as relações económicas, Machete destacou que Espanha «continua a ser o principal parceiro comercial» de Portugal: no ano passado, foi o principal cliente, sendo destino de 23% das exportações nacionais, e também fornecedor, representando 30% das importações portuguesas.

As exportações para Espanha alcançaram em 2013 cerca de 10,2 mil milhões de euros, um acréscimo de mais de mil milhões de euros face a 2012, o que representa um crescimento de cerca de 10%.

Já este ano, Espanha mantém-se como principal destino das exportações e serviços nacionais, registando já um crescimento de 2,6% em termos homólogos.

«Se excluirmos os produtos energéticos, segundo os dados dos primeiros oito meses de 2014, este incremento atingirá os 7%, devido aos setores têxtil, agroalimentar e de fornecimento ao setor automóvel, aproveitando a progressiva recuperação da procura interna e um cenário económico mais favorável, que também em Espanha se faz sentir», destacou Rui Machete.

Espanha também foi, em 2013, o principal investidor em Portugal, sendo responsável por 22% do total, sendo este ano superada pelo Brasil.