Machete apela para união de empresas portuguesas e espanholas

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, também exortou hoje as empresas portuguesas e espanholas a aprofundarem a cooperação para chegarem a mercados como a América Latina e África, contando com o apoio dos governos dos dois países.

«Temos de aproveitar o potencial de cooperação entre as empresas dos dois países, para que estas tirem partido das inúmeras oportunidades de negócio que se podem identificar em mercados de forte crescimento, como a América Latina ou a África, espaços de atuação natural para as nossas empresas e nas quais uma abordagem conjunta pode constituir uma evidente mais-valia», defendeu hoje o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, durante um almoço de empresários promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola (CCILE), em Lisboa.

O governante sublinhou a necessidade de «dar esse passo em frente» para «criar um ambiente de cooperação empresarial abrangente, dirigido pelos interesses e motivações identificadas pelo setor empresarial, mas que possa contar com o apoio potenciador dos respetivos governos, que estimule a formação de verdadeiras e múltiplas parcerias empresariais luso-espanholas».

O ministro considerou que, apesar das profundas relações económicas entre Lisboa e Madrid, há um «enorme potencial de incremento das relações empresariais».

«Devemos incentivar uma maior partilha de informação entre as empresas e administrações dos dois países», argumentou.

Para Machete, «as empresas devem incentivar os governos a adotar reformas» políticas, nomeadamente a nível de infraestruturas, energia ou transportes, «mas também em termos de políticas reguladoras ou de apoio ao investimento e à internacionalização».

Os executivos devem ainda criar uma «maior complementaridade entre as legislações, em prol da melhoria de condições favoráveis ao investimento e à internacionalização».

Sobre as relações económicas, Machete destacou que Espanha «continua a ser o principal parceiro comercial» de Portugal: no ano passado, foi o principal cliente, sendo destino de 23% das exportações nacionais, e também fornecedor, representando 30% das importações portuguesas.

As exportações para Espanha alcançaram em 2013 cerca de 10,2 mil milhões de euros, um acréscimo de mais de mil milhões de euros face a 2012, o que representa um crescimento de cerca de 10%.

Já este ano, Espanha mantém-se como principal destino das exportações e serviços nacionais, registando já um crescimento de 2,6% em termos homólogos.

«Se excluirmos os produtos energéticos, segundo os dados dos primeiros oito meses de 2014, este incremento atingirá os 7%, devido aos setores têxtil, agroalimentar e de fornecimento ao setor automóvel, aproveitando a progressiva recuperação da procura interna e um cenário económico mais favorável, que também em Espanha se faz sentir», destacou Rui Machete.

Espanha também foi, em 2013, o principal investidor em Portugal, sendo responsável por 22% do total, sendo este ano superada pelo Brasil.