O ex-presidente do BES garantiu que Henrique Granadeiro, Zeinal Bava e a Oi tinham conhecimento do investimento da PT no GES, ao contrário do que todos alegam. Só Granadeiro tinha afirmado, na comissão de inquérito, que sabia de parte da aplicação, mas não da totalidade.

Ricardo Salgado desmentiu também ter combinado com Henrique Granadeiro esse investimento de 897 milhões de euros da PT na Rioforte, que resultou num buraco na operadora que prejudicou a fusão com a Oi e, ao limite, levou à venda da PT Portugal aos franceses da Altice.

Essa «combinação» foi revelada pelo ex-administrador financeiro do BES com pelouro também na Portugal Telecom, Amílcar Morais Pires. Na visão de Salgado, que até admitiu ter aprovado a operação e falado com Granadeiro sobre ela, não houve nenhum investimento novo, mas antes uma mudança do que já existia.

A ideia de passar a aplicação da ESI para a Rioforte, segundo Ricardo Salgado, foi de «alguém», só que não se recorda quem. «Se não foi o Amílcar, foi outra pessoa, não me lembro», respondeu apenas, assegurando que a PT «não investiu de mão beijada» no GES..
 

«Eu não trato de operações financeiras propriamente ditas, eu trato de opções estratégicas e da estratégia de desenvolvimento. A área financeira propôs essa operação com toda a boa fé, para dar maior conforto à PT. Nós não estávamos em risco de colapso. O colapso só aconteceu depois do aumento capital, não estávamos à espera».


O ex-presidente do BES aproveitou para ressalvar que essa aplicação «já lá estava», dentro do GES, na ESI, não tendo sido «nova», em fevereiro e abril de 2014, contrariando as declarações até de Henrique Granadeiro, que assumiu a culpa por uma aplicação de 200 milhões de euros, mas não pela totalidade. Esta quinta-feira, Salgado lá acabou por afirmar que deu o «OK» para a transação.
 

«A aplicação na ESI foi deslocada para a Rioforte por sugestão da área financeira, não sei quem a fez. Alguém me perguntou se valeria a pena proteger a PT, se a PT não ficaria melhor na empresa do GES que não teria imparidade, a Rioforte, e eu disse: sim, senhor».


Daí, segundo a versão de Ricardo Salgado, ter «solicitado» que a aplicação «fosse prorrogada por um ano». Uma solicitação que garante ter transmitido a Granadeiro. Já no caso de Zeinal Bava, que na altura já estava na Oi, o ex-presidente do BES contou que procurava «sintonizar» através dele «os acordos dos acionistas brasileiros».

Ou seja, e Salgado foi questionado diretamente sobre isso mesmo, tanto Granadeiro, como Bava e a Oi sabiam da aplicação na Rioforte.
 

«Falei com Granadeiro e Zeinal sobre o prolongamento da operação da ESI por um ano. E já tinha conversado com os parceiros brasileiros. Granadeiro e Zeinal sabiam? Acredito que sim. Os acionistas da Oi sabiam? Sabiam e depois desmentiram. Tanto sabiam que estava nas contas do prospeto do aumento de capital».


No entanto, mais tarde, detalhou que não sabe se todos sabiam da aplicação ter sido deslocada para a Rioforte, mas apenas do seu prolongamento por um ano.

Questionado, então, por que não falou na altura em que a Oi garantiu não ter tido conhecimento deste investimento desastroso da PT, Ricardo Salgado desculpou-se com a falta de tempo.
 

«Não tive tempo para me mexer, não tive tempo para nada. Não me recordo desse período. Estava completamente absorvido no BES».