O empresário David Neeleman defendeu esta quinta-feira que “a gestão é o mais importante” na TAP, desvalorizando a questão da titularidade da maioria do capital na companhia aérea, que deverá voltar para as mãos do Estado.

“A gestão é o mais importante. Se podes tomar decisões é a coisa mais importante. Já disseram [os membros do Governo com quem se tem vindo a reunir] que estão felizes com o que trouxemos à TAP”, declarou o empresário que detém 61% do capital do grupo TAP.

O consórcio Gateway, de Humberto Pedrosa e David Neeleman, reuniu-se na quarta-feira, pela terceira vez, com o Governo liderado por António Costa, que quer ser acionista maioritário da companhia.

Em declarações aos jornalistas, David Neeleman explicou que, mesmo que a maioria do capital da TAP volte a ser público, "o dia-a-dia não vai mudar", realçando que "o Governo gosta da estratégia" que estão a adotar para a empresa.

Hoje, em conferência de imprensa, o presidente da TAP, Fernando Pinto, anunciou que a Portugália (PGA), a transportadora regional do grupo TAP, vai passar a chamar-se TAP Express, e até julho vai ter a frota totalmente renovada com 17 aviões.

“A nossa vida do dia-a-dia não vai mudar. Não vejo problema”, declarou Neeleman, quando questionado sobre a possibilidade de o consórcio passar a ser minoritário, referindo que o Estado maioritário até tem a vantagem de poder ajudar na injeção de capital na transportadora.

“Nós precisamos de injetar muito dinheiro nesta empresa que precisa de muito capital. Já colocamos, mas precisa de mais. Se o Governo quiser ajudar tudo bem”, acrescentou.

Também o acionista português, o empresário Humberto Pedrosa, considerou que a pretensão do Governo socialista não é um problema, repetindo que “em primeiro lugar está o futuro da TAP”.

O dono da Barraqueiro acredita mesmo que o fim das negociações com o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, que está a liderar este processo, seja rápido: “Provavelmente durante o mês de fevereiro deverá estar fechado”.

Quanto aos termos do acordo para as alterações acionistas, Pedrosa não quis revelar o que foi negociado nas três reuniões que se realizaram no último mês, limitando a dar conta da “disponibilidade de ambas as partes de discutir o assunto”.

“Está tudo em cima da mesa. Se calhar tem que haver cedências de ambos os lados. Só estamos preocupados com a TAP. Nós, privados, e o Estado só estamos preocupados com a TAP”, concluiu, escusando-se a comentar a mudança de opinião em relação à manifestada a 17 de dezembro, quando disse que o projeto do consórcio para a TAP "não se adapta" com uma posição de minoria.

Durante a campanha eleitoral, António Costa prometeu que se fosse primeiro-ministro tudo faria para manter a maioria do capital social da TAP, mas quando assumiu funções, o Governo – liderado por Passos Coelho – já tinha assinado a venda de 61% do grupo dono da transportadora aérea nacional.

A venda da TAP ao consórcio Atlantic Gateway, que junta os empresários David Neeleman e Humberto Pedrosa, foi assinada à porta fechada, na noite do dia 12 de novembro, ainda sem parecer definitivo da Autoridade Nacional da Aviação (ANAC), o regulador do setor.

Aliás, até hoje a ANAC ainda não deu 'luz verde' definitiva, tendo inclusive pedido mais elementos à TAP, revelou hoje o presidente executivo, Fernando Pinto.

Segundo o gestor, está a ser reunida informação para responder às questões levantadas pelo regulador, dentro dos prazos previstos.