O lucro da Mota-Engil cresceu cinco vezes mais, disparando 477% nos primeiros seis meses deste ano, de 12,6 milhões para 72,6 milhões de euros, segundo as contas da construtora espelhadas no comunicado enviado à CMVM. As ações da empresa, que atua, ainda, nas áreas do ambiente, concessões de transportes, mineração, turismo e indústria e inovação, reagiram a estes resultados disparando 4% em bolsa, para 1,82€ cada uma.

"Resultado líquido no semestre de 73 milhões de euros influenciado positivamente pelos ganhos gerados na alienação do Negócio Portuário e de Logística e da INDAQUA".

O Haitong Bank previa uma descida do lucro e o Caixa BI estimava que mais do que quadruplicasse, tendo ambas as perspetivas influenciado o desempenho da empresa em bolsa.

Ontem, os investidores estiveram otimistas com a previsão deste último, conhecida precisamente nesse dia e as ações fecharam a valorizar 1,2% para 1,751 euros. As contas oficiais apresentadas hoje acabaram por superar até as melhores estimativas. 

Já os resultados financeiros foram negativos, embora tenham melhorado de um prejuízo de 42,8 milhões de euros para 29,9 milhões.

E as vendas e o EBITDA (lucro antes de impostos, amortizações e depreciações) ficaram aquém do esperado. O volume de negócios ascendeu a 1.036 milhões de euros, aqui representando uma diminuição de 4% face ao semestre homólogo. A América Latina foi "responsável por 33% do total". O EBITDA aumentou 3% para 149 milhões de euros, atingindo uma margem de 14%, em linha com a alcançada no primeiro semestre de 2015.

A dívida líquida era, a 30 de junho, de 1.221 milhões de euros, menos 2% face ao trimestre anterior.

No comunicado enviado à CMVM, a Mota-Engil destaca, já fora das contas do primeiro semestre, o negócio com a francesa Ardian Infrastructures relativo à venda de alguns ativos da Ascendi, empresa detida em 60% pela Mota-Engil. Este acordo fez as ações da construtora dispararem no início de agosto.

A carteira de encomendas era de 4,6 mil milhões de euros no final de junho, "refletindo um rácio carteira de encomendas / vendas e prestações de serviços da área de Engenharia & Construção de 2,1 anos e suportando a visão de crescimento a médio e longo prazo".

A construtora rival Teixeira Duarte passou de lucros de 24,6 milhões de euros a prejuízos de quase 36 milhões de euros.