O antigo ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos alertou, em Braga, que Portugal está a «pisar gelo muito fino», para sublinhar que são ainda «sérios» os riscos da necessidade de um segundo resgate.

«Nós estamos a pisar gelo muito fino, os riscos da necessidade de um segundo resgate são ainda sérios, a batalha ainda não está vencida», afirmou, à margem de uma conferência na Universidade do Minho.

Teixeira dos Santos lembrou que os mercados «têm muitas vezes comportamentos imprevisíveis» e que «as evoluções às vezes podem ser inesperadas». «E podemos ser arrastados por uma situação destas», acrescentou.

Formulando votos para que não haja necessidade do segundo resgate, o antigo ministro das Finanças disse que tudo vai depender da capacidade de Portugal para fazer com que os mercados acreditem no ajustamento que o país está a fazer. «O Orçamento [do Estado] vai ser uma peça fundamental nessa avaliação», frisou.

Defendeu que Portugal «não pode falhar» a meta dos 4% do défice, porque isso «seria comprometer a confiança» que o país tem vindo a recuperar junto dos mercados.

Uma confiança que, alertou, «de um momento para o outro pode desaparecer».

Orçamento federal pode «salvar» Zona Euro

Fernando Teixeira dos Santos diz que a Europa não estava nem está ainda preparada para responder à crise e defendeu um orçamento federal para ajudar os países em dificuldades.

«A Europa deu claramente mostras de que não tem instrumentos de intervenção», disse, exemplificando com o caso da Grécia, que pediu ajuda aos parceiros europeus mas a União Europeia «não tinha meios para lhe valer», obrigando a recorrer a «um esquema de empréstimos bilaterais».

Para Teixeira dos Santos, a solução podia passar por um orçamento federal. «É uma questão de redistribuir entre os orçamentos nacionais e um orçamento comunitário aquilo que são os recursos de que globalmente os países dispõem», explicou.