O tempo está a passar e, ainda sem acordo para ajuda financeira, a Grécia confronta-se dia-a-dia com o agravamento dos seus problemas de liquidez. Apesar disso, promete que vai honrar "todas as obrigações financeiras" como puder, declarou esta segunda-feira um porta-voz do governo, Gabriel Sakellaridis.

"Na medida em que estejamos em situação de pagar, pagaremos todas as obrigações" financeiras, afirmou em conferência de imprensa, a menos de duas semanas de um pagamento que Atenas vai ter de fazer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), um dos credores do país, no valor de 300 milhões de euros. O ministro grego do Interior já admitiu que não há dinheiro.

O porta-voz afirmou que a capacidade de reembolsar as obrigações é "responsabilidade do Governo", mas acrescentou que também é "responsabilidade dos credores respeitar os compromissos dos empréstimos", cita a Lusa. 

Gabriel Sakellaridis desmentiu um cenário de controlo de capitais para travar o levantamento de depósitos bancários, que têm decorrido a um ritmo elevado nos últimos cinco meses, apesar de "os problemas de liquidez serem conhecidos" e criarem "condições de asfixia da economia grega".

O porta-voz repetiu que o objetivo do Governo é chegar a acordo com os credores "em fins de maio, início de junho", para que seja desbloqueada uma parte ou a totalidade dos 7,2 mil milhões de euros do empréstimo concedido ao país em 2012.

Em maio, a Grécia pagou 750 milhões de euros ao FMI recorrendo a um fundo de emergência e agora tem de fazer pagamentos nos dias 5, 12, 16 e 19 de junho, num total de 1,574 mil milhões de euros.

Atenas tem também de fazer pagamentos aos funcionários, aos reformados e à Segurança Social no valor de cerca de 2,2 mil milhões de euros.

O cenário de saída do euro voltou a ser colocado como mais provável, agora, pelo ex-presidente da comissão europeia, Durão Barroso, pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, e também pela sua homóloga portuguesa, Maria Luís Albuquerque