Existem, no mundo, cerca de 2.2 mil milhões pobres ou de pessoas no limiar da pobreza, conclui o Relatório do Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado esta quinta-feira.

«Sustentar o Progresso Humano: reduzir as vulnerabilidades e aumentar a resiliência», é o relatório que alerta para a vulnerabilidade persistente, que pode ameaçar o desenvolvimento, um problema que precisa de ser resolvido para que o crescimento seja equitativo e sustentável.

Da população mundial, composta por 7,2 mil milhões de pessoas, 1,2 mil milhões vivem com menos de 1,25 dólares por dia (0,92 euros) e 1,5 mil milhões têm um baixo nível de vida, de educação e de saúde. Outras 800 mil pessoas estão prestes a fazer parte deste grupo.

O relatório anual que se insere no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em Tóquio, pede um regresso ao objetivo do pleno emprego e universalidade de serviços públicos básicos, através de políticas mais fortes de proteção social.

«Há situações que exigem tratamentos desiguais para criar oportunidades iguais», esclareceu o diretor do gabinete que produz o relatório, Khalid Malik, à agência Lusa.

O relatório conclui ainda que a maioria da população mundial não beneficia de proteções como pensões ou subsídios de emprego. «Garantir benefícios de segurança social básicos aos pobres custaria menos do que 2% do PIB mundial», explica Khalid Malik.

Além disso, contraria a ideia de que apenas os países ricos podem disponibilizar serviços universais, apresentando uma análise comparativa dos rendimentos individuais. Países como a Dinamarca, a Noruega ou a Suécia, a Coreia do Sul ou a Costa Rica surgem na lista dos estados que oferecem estes serviços.

O relatório é apresentado numa fase fulcral das negociações para a agenda pós-2015 e pede «um consenso internacional em torno da segurança social universal» incluído no compromisso.

O coordenador do relatório explicou à agência Lusa a importância deste ponto porque «eliminar a pobreza extrema não significa apenas chegar a zero, mas ficar lá», já que, a título de exemplo, 80% dos idosos de todo o mundo têm proteção social deficiente.