O Turismo de Portugal, responsável pela promoção da atividade turística, considera ainda “prematura” qualquer decisão de alterar a sua estratégia de promoção junto dos turistas britânicos na sequência da decisão do Reino Unido de sair da União Europeia.

“A nossa comunicação é muito digital e podemos mudar de um dia para o outro, mas [mudar a estratégia de promoção junto dos britânicos] não é uma questão que se coloca neste momento, porque é ainda muito cedo”, disse à Lusa o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo.

Na passada quinta-feira, através de um referendo, os eleitores britânicos decidiram a saída do Reino Unido da União Europeia, com 51,9% dos votos, uma decisão que teve logo efeitos na taxa de câmbio da libra que, desde sexta-feira, tem desvalorizado face ao euro, encarecendo as viagens e estadas dos britânicos em Portugal.

Logo na sexta-feira, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou a sua demissão, com efeitos em outubro, e os líderes da UE defenderam uma saída rápida do Reino Unido.

“Temos é de garantir que o produto [turismo em Portugal] continua a ser interessante para qualquer parte do mundo. Mais do que isso é criar apenas especulação”, acrescentou o mesmo responsável, salientando que é preciso “analisar e ir vendo como corre” e isso já é feito quase todos os dias.

Luís Araújo lembrou ainda que a estratégia do Turismo de Portugal, mesmo com a anterior presidência, é a de ter “cada vez mais presença” em mais mercados espalhados pelo mundo, e não a de concentrar atenções num pequeno grupo de países.

Na estratégia de atuação para o turismo até 2020, disponível na página de internet do Turismo de Portugal, o mercado britânico é considerado de primeiro nível, juntamente com a Espanha e Alemanha, e a missão de turismo nesse país é a de “desenvolver uma abordagem específica, visando conter a queda recente e gradualmente recuperar a quota de mercado”.

No Plano de Ação Turismo 2020, a análise ‘swot’ (ferramenta utilizada para fazer análise de cenário) ao turismo em Portugal, feita antes de conhecida a intenção de referendo no Reino Unido, destacava a variação da taxa de câmbio, desvalorizando face ao Euro, como uma das principais ameaças.

O Conselho Europeu reúne-se hoje e quarta-feira em Bruxelas para analisar os cenários pós-Brexit.