O especialista em pensões Jorge Bravo considerou esta terça-feira que «é arriscado» deixar que o rendimento da reforma dependa de uma única fonte, sublinhando que existem riscos económicos e demográficos «substanciais» para o atual sistema.

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«É difícil que o sistema consiga cumprir com as promessas de pagamento da pensão» se se concretizarem determinados riscos, destacou o economista, à margem da apresentação do portal aminhapensão.pt, uma iniciativa do Instituto BBVA de Pensões que foi hoje apresentada, escreve a Lusa.

Jorge Bravo apontou várias ameaças que podem pesar às gerações atuais no futuro como os baixos salários, o desemprego elevado, o fraco crescimento económico e as condições demográficas negativas, sublinhando que Portugal se confronta atualmente com «uma situação muito negativa» neste domínio, com uma taxa de fertilidade muito baixa que vai conduzir a um envelhecimento gradual da população.

«É natural que neste contexto os riscos sejam substanciais», assinalou, afirmando que «é arriscado deixar que todo o rendimento na reforma dependa de uma única fonte» como acontece com a «esmagadora maioria dos cidadãos portugueses» que recebem a pensão através do sistema público.

Salvaguardando que o que está em causa não é o facto de se tratar de uma fonte de rendimento pública ou privada, o também investigador da Universidade de Évora considerou «normal» que haja incertezas quando ao futuro.

«É normal que haja essa incerteza. Sempre existiu no passado, vai continuar a existir no futuro e aumenta quando é necessário implementar reformas com alguma frequência, o que é um sintoma de que o sistema tem dificuldades», justificou.

Jorge Bravo lembrou que o sistema de pensões público «não tem reserva financeira», já que as contribuições dos trabalhadores ativos são canalizadas imediatamente para pagar as pensões dos reformados, e salientou a importância de diversificar as fontes de rendimento como acontece em países nos quais a reforma resulta da soma de vários componentes: uma pensão pública, normalmente financiada com base num sistema de repartição, associada a sistemas complementares de base coletiva criados pelas empresas ou individuais.

«Quando colocamos os ovos todos no mesmo cesto, corremos o risco de um dia o cesto entornar e depois não temos alternativa», comentou.

O portal aminhapensao.pt tem como objetivo promover o conhecimento e a planificação da reforma, disponibilizando estudos independentes sobre o sistema de pensões, informações sobre a Segurança Social e simuladores para calcular o valor da futura pensão.