Os contactos entre os responsáveis do BES e os mais altos representantes políticos de Portugal tem estado no centro das atenções da comissão de inquérito parlamentar sobre o caso. O ex-administrador financeiro, João Moreira Rato, afirmou esta quarta-feira, perante os deputados, que só falou com a ministra das Finanças.

«Não participei em nenhuma reunião com o Presidente da República, nem com o primeiro-ministro, nem com Carlos Moedas». «Falar com a ministra das Finanças era o que fazia sentido dado o teor da conversa»

Moreira Rato admitiu essa «conversa» com Maria Luís Albuquerque, só depois da insistência da deputada do PS Ana Paula Vitorino, na pergunta. E explicou que o propósito foi indagar o Governo sobre que segurança poderia o Estado dar, caso o novo aumento de capital, que estava a ser estudado, falhasse. 

«A possibilidade de o Governo clarificar a disponibilidade de haver um backstop do Estado no caso do aumento capital privado não estar disponível».


Confirmou, por isso, a versão de Vítor Bento que, na sua audição,  confessou que colocou em cima da mesa a possibilidade da capitalização pública para o BES, bem como um «financiamento provisório» que a ministra das Finanças também pôs de parte.  

A resolução que veio a ser decidida pelo Banco de Portugal é que não estava, de todo, no horizonte da administração. O ex-CFO só entrou para o BES em julho, precisamente a convite de Vítor Bento,  e depois de ter sido, igualmente, sondado pelo Governador do Banco de Portugal.

Segundo o ex-líder do banco, Ricardo Salgado, que enviou uma carta aos deputados da comissão de inquérito, os contactos com responsáveis políticos vinham sendo mantidos, pelo menos, desde março de 2014, quatro meses antes do colapso. Um deles foi o chefe de Estado. Outra revelação, foi o encontro com o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas. 

Na sequência dessas revelações, os deputados da oposição quiseram chamar Cavaco Silva ao Parlamento, mas o depoimento por escrito foi chumbado pela maioria PSD/CDS-PP. Já o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, vai responder por escrito às perguntas dos deputados. E Paulo Portas também se mostrou disponível para ser ouvido.