A Standard & Poor's decidiu retirar Portugal do "lixo" .É a primeira das três grandes agências de rating norte-americanas a fazê-lo e a sua decisão surge precisamente a um mês da apresentação do Orçamento do Estado para 2018.

A S&P subiu o rating para BBB-, o primeiro acima de “lixo”, o que acontece cinco anos depois de ter colocado o país num grau que desaconselhava o investimento na dívida da República. 

Até aqui, a dívida nacional era considerada especulativa. A Standard & Poor's nem sequer optou por passar a perspetiva de estável para positiva antes de poder vir a melhorar a nota, como fez ainda na semana passada a Moody's e tinha feito em junho a Fitch. A S&P decidiu saltar essa possibilidade e subir já o rating, passando a dívida para o grau de investimento. A única agência que, até aqui, já tinha Portugal neste nível era a canadiana DBRS.

Centeno e Costa congratulam-se

O ministro das Finanças, Mário Centeno, que há poucos meses se queixava da "injustiça" com que os mercados olhavam para Portugal, foi rápido a reagir à notícia, congratulando-se por o progresso do país ser "reconhecido".

A decisão da Standard and Poor’s traduz o crescente reconhecimento, por parte de agentes institucionais e privados, do progresso notável que Portugal tem vindo a fazer na economia e nas contas públicas".

O governante é citado numa nota enviada à comunicação social pelo seu gabinete, dizendo ainda que a agência "baseia a sua decisão no reconhecimento da recente mudança estrutural ocorrida no setor financeiro, na abrangência do crescimento económico, alicerçado numa forte dinâmica de investimento e de exportações, e no controlo da despesa e da dívida pública.”

Já António Costa considerou que esta "boa notícia" é, não só, a "demonstração que a viragem de políticas permite também agora virar a página do lixo", como mostra que Portugal está no caminho certo. 

Esta notação permite-nos obviamente melhores condições de financiamento", que têm por intuito final a redução do défice e da dívida, de modo a "de um modo duradouro" ser dada continuidade à política atual sem "riscos de novos recuos", declarou o chefe do Governo.

Costa enalteceu ainda a reposição de salários, pensões e rendimentos dos portugueses e a "redução para todos" da carga fiscal.

A agência norte-americana espera agora que a economia cresça 2,8% este ano e 2,3% em 2018.

Subida podia ter acontecido mais cedo

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, classificou como "uma excelente notícia" a decisão da agência de notação financeira, embora considere que tal podia ter acontecido mais cedo.

Se não tivéssemos tido uma alteração de governo, muito provavelmente essa melhoria teria ocorrido mais rapidamente", afirmou Passos Coelho, em declarações aos jornalistas, à margem de um jantar de campanha autárquica em Mafra.

O primeiro-ministro já desvalorizou as declarações de Passos Coelho, afirmando que "é tão verdade como [eu] dizer que se o governo tivesse mudado mais cedo teríamos saído ainda mais cedo".

Por sua vez, o deputado do PCP Paulo Sá considerou que Portugal não pode estar dependente das agências de ‘rating’ para tomar as opções necessárias para o país e para os portugueses.

O PCP entende que Portugal não pode estar dependente das agências de ‘rating’ para tomar as suas opções e deve apostar na produção nacional, na criação de emprego, na melhoria dos serviços públicos, na melhoria em geral das condições de vida dos portugueses, independentemente das classificações que as agências de ‘rating’ entendam atribuir a Portugal”, disse aos jornalistas o parlamentar comunista em Silves, no Algarve.

Quanto à coordenadora do BE, Catarina Martins, considerou esta sexta-feira que foi precisamente por se ter "feito o contrário do que as agências de rating" aconselhavam que se conseguiram os resultados que permitiram que Portugal saísse do "lixo".

Há um reconhecimento da melhoria da economia portuguesa e é um alívio sobre a dívida pública portuguesa. E tudo o que for uma boa notícia para o país, ainda bem", começou por afirmar a líder bloquista aos jornalistas durante uma ação de pré-campanha nas Festas da Moita.

 

Mas, para Catarina Martins, esta melhoria só foi possível por se ter "feito o contrário do que as agências de rating diziam", ou seja, promover melhores salários, melhores pensões, parar privatizações e proteger serviços públicos.

Se há algo a retirar desta decisão é que realmente as agências de rating sabem pouco do que dizem e o que se provou é que é o caminho que faz melhorar a vida das pessoas que melhora as condições do país", defendeu.

 

Já o presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal considerou esta sexta-feira que a saída de Portugal do ‘lixo’ “era esperada há seis anos” e apelou para que o país prossiga as “reformas estruturais de que necessita”.

“Este ‘upgrade’ do rating era esperado pelo país há seis anos”, disse António Saraiva à Lusa.

Decisão importante para famílias e empresas

Esta retirada de Portugal do nível considerado "lixo", é uma decisão que "abre caminho ao alargamento da base de investidores na dívida da República Portuguesa e, assim, à melhoria das suas condições de financiamento".

"Este efeito permitirá a melhoria das condições de financiamento das famílias e empresas portuguesas", explica a nota enviada às redações.

O gabinete de Centeno faz questão de lembrar que Portugal saiu do procedimento por défice excessivo, alcançou o défice mais baixo da história da democracia, o maior crescimento económico desde 2000 e uma "criação de emprego que supera a média da União Europeia".

Ao fim de cinco anos, Portugal volta a ser colocado no grau de investimento por mais uma das principais agências de rating. Fá-lo ancorado num modelo económico sólido, equilibrado e inclusivo".

O Governo reitera o seu "compromisso de seguir um caminho de equilíbrio das contas públicas e de crescimento sustentável e inclusivo", no sentido de aumentar o potencial de crescimento do país. 

Cristas saúda reconhecimento do esforço dos portugueses e do trabalho de dois governos

Já este sábado, a presidente do CDS-PP saudou a subida de 'rating' de Portugal pela agência de notação financeira Standard and Poor's como reconhecimento do trabalho de dois governos e do esforço dos portugueses, ressalvando que já podia ter acontecido.

É o reconhecimento de um trabalho de seis anos, ou seja, de dois governos, mas essencialmente do esforço de todos os portugueses. Hoje todos os portugueses podem sentir que o seu esforço foi reconhecido por esta agência, era bom que tivesse sido reconhecido antes, teria havido, porventura, condições para ser reconhecido antes", defendeu Assunção Cristas.

A líder centrista argumentou que com "uma trajetória de redução da dívida" e "estabilidade nas políticas" esta subida poderia ter sido antecipada, sublinhando igualmente que a agência defendeu a manutenção da reforma laboral.

Assunção Cristas falava aos jornalistas no mercado de Benfica, em Lisboa, numa ação de pré-campanha da sua candidatura à Câmara da capital, encabeçando da lista da coligação "Pela Nossa Lisboa" (CDS-PP/MPT/PPM).