Após a OPEP (cartel que junta alguns dos maiores países exportadores) ter mantido as quotas de produção de petróleo na reunião de sexta-feira, o preço do barril de Brent tomba 4,21%, em Londres, para 41,19 dólares, perto de mínimos de 7 anos, enquanto o petróleo de referência Nymex perde 4,75%, em Nova Iorque, para 38,06 dólares. Estas desvalorizações penalizam os principais índices em Wall Street, onde o índice Dow Jones recua 0,8% e o S&P 500 desce 0,9%. Estes fatores acabaram por retirar parte do fôlego da recuperação de algumas bolsas europeias, após as quedas fortes do final da semana passada. O índice FTSEurofirst300 subiu 0,32%, com Frankfurt a ganhar 1,25% e Paris 0,88%, mas Londres e Paris juntaram-se a Lisboa no 'vermelho', com quedas de 0,24% e 0,36%, respetivamente.

Em Lisboa, no índice PSI-20, destaque negativo para a Galp, que caiu 3,04% para 9,577 euros. Além do 'trambolhão' do crude, a 'oil&gas' portuguesa foi penalizada um corte no preço-alvo para 10,75 euros, de 11 euros, pelo Deutsche Bank, que realçou que uma perspetiva menos favorável das margens de refinação parece inevitável, removendo um fator que tem protegido a evolução dos resultados da Galp.

Pressão adicional da construtora Mota-Engil, que perdeu 2,56%, e da Pharol, que desvalorizou 4,08%, contagiada pela descida de 4,40% das acções da Oi, a operadora brasileira na qual é a maior accionista.

No lado dos ganhos, destaque para três pesos-pesados, com a Jerónimo Martins a avançar 0,59%, o Millennium BCP a subir 1,03% e a EDP a somar 1,06%. A EDP Renováveis, subsidiária eólica da EDP, deslizou 0,22%, apesar dos analistas considerarem como positivo o anuncio que fechou contratos de longo prazo para a venda de energia eólica a clientes empresariais, que será produzida por 100 megawatts da extensão do parque eólico Hidalgo, no Texas. "É positivo na medida em que este contrato reforça os planos de crescimento da EDPR para além dos objetivos apresentados no plano estratégico 2014-2017", disse Helena Barbosa, analista do Caixa Banco de Investimento, citada pela agência Reuters.

DÓLAR FORTE

Segundo operadores, os preços do petróleo estão a ser pressionados também por um dólar forte. O euro deprecia-se 0,4% para 1,084 dólares, com a moeda norte-americana apoiada por dados fortes do mercado de trabalho anunciados na sexta-feira e que fortalecem a hipótese da Reserva Federal dos EUA subir as taxas de juros na próxima semana.

No mercado de dívida, o juro das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos cai 5 pontos base para 2,44%. É um movimento em linha com as equivalentes europeias, que aliviam das subidas fortes que se seguiram ao anúncio feito pelo Banco Central Europeu na passada quinta-feira sobre reforço dos estímulos monetários.