Foi um dia que quedas ligeiras nas bolsas europeias, dececionadas com o acordo entre a Rússia e a Arábia Saudita, com o objetivo de evitar novas quedas dos preços do petróleo. O acordo, que também envolve o Qatar e a Venezuela, pretende congelar a produção de petróleo aos níveis de janeiro, com vista a estabilizar os preços nos mercados.

O barril de Brent descia 2,2% para 32,65 dólares, em Londres, e o barril de crude WTI caía 0,7% para 29,23 dólares, em Nova Iorque.

A decisão de alguns grandes produtores, que depende da aceitação de outros países exportadores, como o Irão, pretende estancar a queda dos preços do crude que já dura há mais de 18 meses. Esta queda continuada deve-se ao receio de sobreprodução, aliada ao abrandamento da economia global.

Quanto às bolsas de valores, o índice FTSEurofirst, que agrega as 300 maiores empresas europeias, caiu 0,58%, com a bolsa de Atenas a perder 1,03%.

GALP RECUPERA

A Bolsa de Lisboa fechou em leve queda, de 0,17%, pressionada pelas descidas da EDP, Jerónimo Martins e NOS, enquanto a Galp e as construtoras se destacaram pela positiva.

A Mota-Engil ganhou 3,61% beneficiando da compra de ações próprias, o que deu algum suporte a um título que tem sido muito castigado pela queda do preço do petróleo e pelas perspetivas mais pessimistas para os mercados africanos, onde está presente. "Temos vindo a assistir a várias compras de ações por parte da empresa, o que segura o título e dá credibilidade à ação", explicou Paulo Rosa, trader da GoBulling, citado pela agência Reuters. O mesmo trader acrescentou que "não há razão para o título subir, uma vez que o petróleo está em queda e Angola, que é um dos principais mercados exteriores da construtora, está em dificuldades".

A Galp subiu 0,82%, em contraciclo com os preços do petróleo nos mercados internacionais, beneficiando do anúncio que a quinta unidade de produção permanente no campo Lula/Iracema, o FPSO Cidade de Maricá, entrou em operação de acordo com o calendário previsto. A Galp também acabou por ganhar com a subida ensaiada pelo petróleo logo depois de ser noticiado o acordo entre Rússia e Arábia Saudita.

Em sentido contrário, a Jerónimo Martins caiu 0,4%, a NOS perdeu 0,14% e a EDP deslizou 0,11%.

Na banca a tendência foi mista, com o BPI a descer 0,98% para 1,008 euros, enquanto o Millennium BCP fechou estável em 0,033 euros, após ter anunciado que pretende recomprar até 300 milhões de euros de obrigações.

Fora do PSI-20, a Corticeira Amorim ganhou 1,21%. O Caixa BI prevê que o lucro líquido da Corticeira Amorim aumente 29,5% para 46,3 milhões de euros em 2015, apoiado no crescimento das vendas e forte performance operacional que deverão atingir valores recorde.

No mercado de dívida soberana, a taxa de juro das Obrigações do Tesouro portuguesas segue estável em 3,45%.