O índice PSI-20 encerrou a perder 0,59%, num dia de fortes quedas das ações europeias, com os investidores assustados pelo agudizar de tensões geopolíticas, depois de um avião militar turco ter abatido um caça russo próximo da fronteira da Síria, segundo dealers. A Turquia acusou o avião russo de violar o seu espaço aéreo. É a primeira vez que um membro da NATO abate um avião russo ou soviético desde 1950. O risco deste conflito escalar levou a um movimento clássico de fuga de ativos de maior risco, como é o caso das ações. O índice Stoxx que segue as 600 maiores cotadas da Europa, fechou a cair 1,33%. Frankfurt perdeu 1,43% e Paris 1,41%.

Em Lisboa, a EDP caiu 2,74%. Em dois dias, a elétrica acumula uma desvalorização de 4%. A Jerónimo Martins deslizou 1,27% e a telecom NOS 0,47%. Também no sentido negativo, a retalhista Sonae recuou 1% e os CTT 0,37%.

No sector financeiro, o BPI perdeu 0,98% e o Millennium BCP encerrou estável nos 0,05 euros.

A queda de 4,69% da Impresa foi a mais forte do índice. A Impresa está no ponto mais baixo desde abril de 2013 e este ano acumula uma desvalorização de 35%. A Cofina,  também do sector dos media, perdeu 1,12%, depois do Caixa Banco de Investimento ter cortado o preço alvo 23%, alertando para o risco de maior pressão sobre as receitas de publicidade e circulação.

A Galp Energia somou 1,04%, acompanhando a forte valorização dos preços do petróleo. O barril de crude, em Londres, subiu 3,5%, para 46,4 dólares, como reação à tensão geopolítica.

Pela positiva, a Portucel subiu 0,84% e a Semapa 0,78%. A administração da Portucel propôs pagar um dividendo bruto de 0,1395 euros por ação, utilizando reservas relativas a resultados transitados, enquanto a casa-mãe Semapa pretende distribuir 0,75 euros ilíquidos por ação em reservas livres até ao final do ano, anunciaram as duas empresas. O BPI incluiu a Portucel na lista de empresas favoritas, realçando que o título oferece uma forte rentabilidade ('dividend yield') e deverá beneficiar do crescimento dos preços do papel e um dólar forte, representado uma das boas oportunidades nas bolsas ibéricas.

JUROS DA DÍVIDA SERENOS

No mercado de dívida soberana, as taxas de juro a 10 anos seguiam praticamente estáveis, nos 2,53%, depois do Presidente da República ter indigitado como primeiro-ministro o líder do Partido Socialista, António Costa.

É certo que este evento estava completamente descontado no mercado, contudo não deve passar ao lado o facto das obrigações a 10 anos estarem a negociar abaixo do fecho de ontem", disse Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal, ouvido pela agência Reuters, acrescentando que "Não há duvidas que a solução encontrada de governo do Partido Socialista é, em termos económicos, melhor que o possível governo de gestão".

ilipe Silva, gestor de dívida do Banco Carregosa, no Porto, disse que "o mercado de dívida não está assustado com um Governo à esquerda porque acreditam que as medidas 'core' europeias não são posta em causa". "Este é um Governo que não tem nada a ver com o caso Syriza na Grécia. O PS é um partido europeísta, não há qualquer 'stress'", realçou.