O índice PSI-20 fechou a subir 0,3%, numa sessão marcada pelo disparo de 10,5% dos títulos do BCP, que beneficiaram do reacender do ângulo especulativo após a suspensão das ações do BPI, na sequência das notícias que o CaixaBank está a negociar a compra da participação da empresária Isabel dos Santos. Na base do disparo das ações do Millennium BCP estão as apostas que poderá ser envolvido num processo de consolidação, caso se resolva a ‘guerra' entre os maiores acionistas do BPI. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários suspendeu a negociação dos títulos do BPI, aguardando facto relevante, numa altura em que os títulos disparavam 10,38% para 1,18 euros.

Uma fonte disse à Reuters que o CaixaBank, o maior acionista do BPI, fez uma proposta em janeiro pela participação de 18,6% de Isabel dos Santos, que é a segunda maior acionista, não tendo ainda obtido uma resposta. Outra fonte disse que as conversações entre o Caixabank e a Santoro da empresária angolana Isabel dos Santos envolvem várias hipóteses e todos os cenários estão em aberto. Isabel dos Santos tem defendido uma fusão entre o BPI e o Millennium BCP.

Segundo analistas, uma possível aquisição da posição de Isabel dos Santos por parte do grupo espanhol, que é o maior acionista do BPI, poderá resolver o problema da exposição do BPI a Angola e abrir caminho a uma fusão com o grupo espanhol. "Qualquer coisa que mexa com o BPI acaba por mexer com o BCP. Em comum, têm acionistas angolanos. Resolvendo-se a situação no BPI, poderá olhar-se para o BCP de outra forma", disse Gualter Pacheco, corretor da GoBulling no Porto, citado pela agência Reuters.

A petrolífera Galp Energia subiu 0,97% e os CTT 0,47%.

Pela negativa, a telecom NOS perdeu 4,72%, corrigindo o ganho de 8% acumulado ao longo das últimas quatro sessões e apesar do Royal Bank of Canada ter subido o preço-alvo 5,3%, para 10 euros (era 9,5 euros) após os resultados mostrados esta semana. O HSBC reiterou a recomendação de ‘Comprar' para a NOS, com um preço-alvo de 9 euros, o que representa um potencial de valorização superior a 40%, face à cotação atual de 6,2 euros. A operadora apresentou ontem um crescimento dos lucro de quase 11% em 2015 para 82,7 milhões de euros.

A EDP recuou 0,1%. Segundo uma 'poll' da analistas, o lucro da elétrica terá caído 8% para 956 milhões de euros em 2015, sob pressão dos custos financeiros, mas com a performance operacional forte.

A Pharol, que tocou ontem um mínimo histórico, recuperou um pouco e subiu 3,03%.

A Impresa desceu 2,56%. O Caixa BI vê o lucro da dona do Expresso e da SIC a cair 61%, para 4,3 milhões de euros, em 2015.

A taxa de juro das obrigações do tesouro de Portugal a 10 anos segue praticamente estável nos 2,96%.