O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje, em Bruxelas, que o Estado retomará a maioria do capital da transportadora aérea TAP mesmo sem acordo com os compradores privados.

Em conferência de imprensa, António Costa referiu que a negociação tem continuado e espera que "haja um acordo", mas alertou que a execução do programa do Governo avançará mesmo sem acordo.

"A execução do programa do Governo não depende da vontade de particulares" que assinaram um contrato com um "governo em condições precárias", disse o primeiro-ministro numa referência à transportadora aérea TAP.

O ex-governo PSD/CDS-PP concluiu em novembro o contrato de venda de 61% do capital da TAP ao consócio Gateway, liderado por David Neeleman e Humberto Pedrosa.

Mas a venda da transportadora aérea sempre mereceu contestação por parte dos partido da oposição, incluindo do PS. Mesmo antes das eleições, o partido de António Costa já se tinha pronunciado sobre esta matéria,  prometendo que "tudo faria para reverter o processo" caso viesse a formar governo.
 
Entretanto, David Neelman, disse numa entrevista no Jornal das 8, esta quinta-feira, que não está disponível para continuar na empresa caso o Estado mantenha a sua posição de querer reverter o negócio para recuperar o controlo maioritário da companhia aérea.

Neeleman argumentou que a companhia aérea necessitava desesperadamente de investimento que o Estado não podia fazer por causa das leis comunitárias sobre as ajudas públicas. E admitiu que a empresa pode fechar se se mantiver na esfera pública, devido à dificuldade de Bruxelas aceitar as ajudas públicas.