Os trabalhadores da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal anunciaram esta terça-feira uma greve para 8 de julho em protesto pelos quatro anos de congelamento salarial e exigindo uma atualização de 4%, num mínimo de 40 euros.

Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa (STEFFAs) diz estar ainda na base do protesto de 24 horas a “luta contra as imposições do ‘banco de horas’, de alterações aos horários de trabalho e na marcação e gozo de férias, contra a repressão dentro da empresa, as perseguições, discriminações e despedimentos encapotados e pela continuação e recuperação do trabalho para a Força Aérea Portuguesa”.

A agência Lusa tentou ouvir a administração da OGMA, mas aguarda ainda uma posição oficial da empresa.

Segundo o sindicato, desde há quatro anos que a empresa se “mantém inflexível” na decisão de congelamento salarial, o que considera ser uma “enorme injustiça” num contexto em que a OGMA atingiu em 2015 um “lucro líquido recorde de 11,6 milhões de euros”, mais 13% do que no ano anterior.

“Ou seja, em apenas um ano, a OGMA lucrou mais 300 mil euros do que o valor total pago pelo acionista privado (a brasileira Embraer) por 65% do capital social da empresa aquando da escandalosa privatização, há 11 anos”, sustenta o STEFFAs.

De acordo com o sindicato, “apesar dos bons resultados obtidos nos últimos anos” pela empresa aeronáutica, são cada vez “maiores” os “sacrifícios exigidos aos trabalhadores” que, nomeadamente na área da produção, “têm em muitos casos salários baixíssimos e sofrem com um clima diário de repressão e com tentativas de retirada e limitação de direitos constantes”.

Neste contexto, o sindicato pretende ainda denunciar ao acionista Estado (que detém 35% do capital da OGMA) “vários aspetos graves da situação laboral vivida na empresa”, pelo que durante a manhã do dia 8 uma delegação do STEFFAs irá deslocar-se ao Ministério da Defesa Nacional.

Numa posição oficial enviada à agência Lusa em abril passado, na sequência de uma marcha de protesto organizada pelos trabalhadores, fonte da OGMA negou qualquer problema laboral e sublinhou que a empresa "reconhece o contributo dos trabalhadores".

"A empresa distribui uma parte dos lucros pelos trabalhadores, tendo em conta o cumprimento dos objetivos de desempenho delineados. Desde 2006 já foram distribuídos 13,5 milhões de euros aos trabalhadores, dos quais 1,8 milhões de euros serão pagos em abril deste ano, referentes aos resultados de 2015", afirmou na altura.

Na OGMA trabalham cerca de 1600 trabalhadores.