O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos alerta que a greve ao trabalho suplementar dos funcionários da Prosegur e Securitas nos aeroportos nacionais, que começa já esta quarta-feira, poderá ter impacto na segurança. É que, lembra, o recurso a horas extra "é constante", afirmou o dirigente do Sitava. E, depois, a 27 de agosto, há ainda lugar a uma paralisação de 24 horas.

Os trabalhadores destas duas empresas são responsáveis pela segurança de cerca de 40 milhões de passageiros que, por ano, passam pelos aeroportos portugueses e, com as condições em que trabalham, mais tarde ou mais cedo, podemos vir a ter problemas graves. É a altura de olhar com atenção para esta questão"

O Sitava, Fernando Henriques, explicou à Lusa que estas empresas recorrem ao trabalho suplementar de modo regular, de tal forma que nas escalas definidas, com um mês antecedência, já está previsto no horário dos trabalhadores a prestação desse período extraordinário.

"Quando temos trabalhadores a fazer turnos de 12 horas, é natural que ao fim de algum tempo não tenham capacidade para avaliar, por exemplo as cores com que são representados os artigos transportados na bagagem", realçou.

A ANA - Aeroportos de Portugal garantiu, entretanto, que a gestora aeroportuária está "a tomar as iniciativas adequadas para mitigar a situação e os seus eventuais efeitos no normal processamento dos passageiros nos aeroportos sob sua gestão e manter-se-á atenta ao evoluir da situação".

Os trabalhadores das empresas Prosegur e Securitas são quem assegura o raio-x da bagagem de mão e o controlo dos passageiros e também de quem trabalha nos aeroportos.

De acordo com o pré-aviso de greve do Sitava, afeto à CGTP, os trabalhadores dos aeroportos nacionais vão fazer uma paralisação de 24 horas a 27 de agosto e avançam já na quarta-feira com uma greve ao trabalho suplementar que se prolonga até 31 de dezembro.

Na origem desta greve estão a negociação de um contrato coletivo de trabalho para os Assistentes de Portos e Aeroportos (APA) sem qualquer regime de flexibilização da organização dos tempos de trabalho, a criação de uma carreira profissional e “a tomada de medidas urgentes” no âmbito de saúde e segurança no trabalho.

Ontem, o Sitava lamentou o "fraco resultado" da negociação salarial na TAP. A proposta da empresa prevê aumento salarial de 0,9%, com retroativos a janeiro deste ano, para os cerca de 3.400 trabalhadores de terra, mas o sindicato não desiste da reposição das anuidades.

“Estes profissionais são diariamente maltratados, seja ao nível das suas condições de trabalho, seja ao nível das condições de saúde e segurança no trabalho”, denuncia o SItava.