O total do encaixe financeiro da TAP para o estado deverá chegar só daqui a cinco anos, em 2020. Esta receita para os cofres públicos, de cerca de 130 milhões de euros, será conseguida com a dispersão em bolsa dos restantes 34% da empresa. A TVI teve acesso à proposta do consórcio vencedor do processo de privatização, que prevê ainda um apoio do Estado no que toca à renegociação da dívida.
 
No plano, está prevista a venda de aviões para conseguir dinheiro de imediato e ainda a contração de um empréstimo de mil milhões de euros para os primeiros 14 novos aviões. É o plano com que a Gateway pretende levantar as contas da companhia aérea.
 
Para além além dos 338 milhões de euros de injeção de dinheiro, no imediato, quer vender aviões da TAP para encaixar pelo menos 100 milhões de euros, como liquidez adicional, isto é, uma forma de melhorar o balanço negativo das contas da empresa.
 
Esta venda seria feita, no máximo, até 90 dias após a TAP passar para as mãos de privados e permitiria ter dinheiro em caixa durante 18 meses.
 
Esta opção inclui também a possibilidade de vender e alugar os mesmos aviões, consoante as necessidades de voo.
 
No documento a que a TVI teve acesso, a Gateway espera conseguir para já financiamento de 250 milhões de euros para apoiar a renovação de frota entre 2016 e 2017.
 

Estado renegoceia dívida

 
No capítulo da dívida, a proposta é clara: é preciso renegociar. E quem vai fazê-lo é o Estado.
 
A ideia é estender os prazos de pagamento entre 7 a 10 anos e ainda não ter de fazer reembolsos num período entre dois a 5 anos, dependendo da capacidade financeira da empresa.
 
Esta é uma forma de dar uma balão de oxigénio à TAP, mas que não excluiu a necessidade de contrair novos empréstimos antes de concluída da privatização. Se isso acontecer, é o estado o responsável.
 
No entanto, fonte do governo garante à TVI que não será dada qualquer garantia pública caso esse cenário se confirme. Será apenas dada uma ajuda na negociação das condições de um eventual empréstimo.

 

Participação de banco do Brasil
 

Sobre os problemas no brasil, no negócio da manutenção, a Gateway assume que vai resolvê-lo, mas isso com o "apoio significativo" do Estado em processos laborais, fiscais e legais.
 
Do Brasil, pode vir também um novo elemento para o consórcio que ganhou privatização da TAP. O Banco de Desenvolvimento Brasileiro, um banco público poderá entrar para a Gateway em breve.
 
Uma parceria que, lê-se no documento, permitirá "um acesso sem precedentes ao governo brasileiro" e é ainda destacado com extrema satisfação: "Estamos extremamente satisfeito com o elevado nível de apoio, incentivo e orientação que estamos a receber ao mais alto nível do estado brasileiro.", lê-se.
 

Fernando Pinto continua

 
Na condução dos destinos da TAP, a Gateway continua a contar com Fernando Pinto como presidente do conselho de administração. Ele é o homem que teve um papel fundamental no processo de avaliação das propostas de compra.
 

Entrada em bolsa

 
A entrada em bolsa está prevista para 2020, quando os 34% de capital, ainda nas mãos do Estado serão dispersos.
 
Só aí é que os cofres públicos poderão ter um maior encaixe financeiro de cerca de 130 milhões de euros.
 
A TVI contactou a Gateweay, que não quis fazer qualquer comentários.
 


Cinco anos de reviravolta

 
Até 2020, a proposta promete resultados claros: de um capital próprio negativo de cerca de 500 milhões, a Gateway garante que em 2020 a TAP vai passar a ter 2.300 milhões de euros.
 
A nível estratégico, "a aposta é numa mudança radical da noção de aeronaves próprias para aeronaves alugadas".
 
Pode estar fora do horizonte voar para o oriente. A intenção é trocar os A350, mais indicados para longo curso, para os A330 de médio e longo curso que permitem, pro exemplo, viagens para o Brasil.