Os agricultores desafiam o Presidente da República a pronunciar-se sobre a "ditadura comercial" dos hipermercados que "impõem preços de arrasar à produção nacional". Em plena marcha lenta para exigir melhores preços e o regresso das quotas leiteiras, e mesmo depois de o Governo ter anunciado medidas para o setor, quem dele vive quer a intervenção do Presidente da República.

O senhor Presidente da República faz questão de falar sobre muitos assuntos. Esperamos que não deixe de falar contra esta verdadeira ditadura monopolista das grandes superfícies comerciais, até porque é inconstitucional"

O dirigente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), João Dinis falava à Lusa, em Estarreja, argumentando, ainda, que esta é luta contra "o abuso das marcas brancas e das promoções que esganam a produção nacional" é uma das reclamações dos produtores de leite e carne, que expressam o problema em números: "Uma vacaria com 50 vacas está a perder 3.000 euros por mês para continuar a produzir".

João Dinis considerou ainda insuficientes os apoios ao setor leiteiro anunciados hoje pelo ministro da Agricultura, defendendo que é necessário repor "o mais rapidamente possível" as quotas leiteiras.

Não basta, nem resolve os problemas injetar dinheiro, ainda que as ajudas sejam bem-vindas, ainda que as ajudas correspondam a reclamações nossas. Mas é necessário que seja reposto um sistema público de controlo da produção como foram as quotas leiteiras"

Além da reposição das quotas leiteiras, o dirigente da CNA defendeu o aumento dos preços à produção, a redução dos custos de produção e a reposição do desconto à eletricidade verde.

Em Estarreja, os produtores realizaram um cadeado humano, em frente a um supermercado de uma multinacional alemã de retalho e dirigiram-se depois para a Câmara de Estarreja (ver fotos), onde foram recebidos pelo vice-presidente da autarquia, a quem entregaram um documento com as reclamações do setor. 

O Governo anunciou precisamente esta terça-feira um novo conjunto de medidas de apoio para o setor do leite, o que não travou o proesto. Entre as medidas, está o pagamento de um prémio suplementar de 45 euros por vaca a todos os produtores de leite do Continente, num montante global de 7 milhões de euros. A este montante junta-se o prémio anual, cujo valor médio é de 82 euros por vaca.

Depois, há lugar ao pagamento de um prémio extraordinário de mais 45 euros por vaca, acumulável com o anterior, atribuído às primeiras 20 vacas de cada exploração, aplicável a todos os produtores do território nacional, num montante global de cerca de 4 milhões de euros.