Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, reduz a produção a partir desta segunda-feira, passando a ter só um turno diário. Serão fabricados apenas 353 carros por dia.

A partir de segunda-feira [dia 29 de agosto] vamos arrancar [apenas] com um turno diário na fábrica da Volkswagen Autoeuropa e produzir 353 carros por dia”

No final de maio, a empresa admitiu que o volume de encomendas previsto desde o início do ano representava “uma redução de 19% face ao ano anterior, concentrada no segundo semestre”.

Nessa altura, a Autoeuropa dizia que a Comissão de Trabalhadores e a administração tinham concordado em reduzir a laboração da fábrica de Palmela para apenas um turno diário, a partir de setembro, e que o acordo com os trabalhadores tinha sido alcançado a 24 de maio.

O modelo encontrado prevê a redução do volume diário e a respetiva produção num único turno a partir de setembro, sem dias de paragem coletiva adicionais. Possibilita também a gestão individual do tempo de trabalho e a continuação dos programas de qualificação e de mobilidade internacional em outras fábricas do grupo Volkswagen”

A administração da Autoeuropa afirmava-se confiante de que esta solução permitiria "a manutenção do emprego e do rendimento dos colaboradores, sem colocar em causa a produtividade da unidade de Palmela”.

A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, que deu parecer favorável à proposta da administração, considerou que o novo acordo salvaguarda os interesses dos trabalhadores.

Depois disso, em julho, a coordenadora das Comissões de Trabalhadores do Parque Industrial avisou que a quebra de produção pode colocar 300 trabalhadores em risco.  Nesse mesmo mês, trabalhadores comunistas do Parque Industrial da Autoeuropa acusaram a empresa de ter uma "política de garrote" ao lançar concursos para fornecedores em que as empresas vencedoras são as que pagam salários mais baixos. 

Em março passado, a Autoeuropa chegou a parar durante seis dias.

Apesar da redução para apenas um turno a partir de setembro, a Comissão de Trabalhadores acredita que, num futuro próximo, com a produção de um novo modelo, a fábrica deixe "de ser uma fábrica de nicho para produzir produtos de grande consumo”, segundo o representante dos trabalhadores, António Chora.

A administração da Autoeuropa também considera a situação atual como um momento de transição para o crescimento a partir do segundo semestre de 2017. Garante estar em contacto com os seus fornecedores, para tentar “minimizar o impacto desta alteração no seu funcionamento”.