O novo governo brasileiro, liderado por Michel Temer, vai encetar uma ronda de reuniões com investidores tendo como foco um amplo plano de venda de ativos que passa, segundo noticia a agência Reuters, pela alienação de participações em empresas públicas como a Petrobrás e a concessionária de energia Furnas Centrais Elétricas, para além de algumas instalações aeroporturárias da Infraero.

O objetivo é ter um maior encaixe de receitas e reduzir o défice orçamental recorde que o país tem atualmente (os analistas preveem que alcance os 10% do Produto Interno Bruto este ano), bem como ajudar a criar postos de trabalho. O responsável pela agência estatal que atrai investimento estrangeiro para o Brasil, Wellington Moreira Franco, indicou que o roadshow é igualmente visto como um passo necessário para equilibrar as contas, embora não tenha especificado o calendário nem a lista completa de ativos.

Seja como for, cinco fontes próximas desta estratégia disseram à Reuters que nesses encontros, ao mais alto nível, participação Moreira Franco bem como o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Serra, e deverão ter lugar em Nova Iorque, Londres e outros centros financeiros provavelmente em meados de julho.

Qatar Investment Authority, Abu Dhabi Investment e Mubadala Development estão entre os fundos soberanos convidados a participar nos roadshows, bem como empresas de investimento do Canadá e outras dedicadas a infraestruturas na Europa, segundo algumas fontes. Alguns dos maiores bancos de investimento que operam no Brasil também vão assistir às reuniões, em representação de potenciais compradores,.

"É hora de acabar com o monólogo governo e começar a construção de soluções com os nossos parceiros", argumentou Moreira Franco, na noite de sexta-feira. Ao mesmo tempo, quis deixar a garantia de o enquadramento legal e de investimento será projetado de modo a que os interessados se sintam "seguros e confiantes" em apostar no Brasil. 

Numa declaração também à Reuters, o escritório de Michel Temer disse apenas que o governo "pretende transferir" para os investidores privados" diversos" ativos  e empresas, "embora ainda esteja a analisar quais e que outros irão permanecer nas mãos do Estado".

Este programa de venda de ativos estatais é sinal de uma mudança de política do Brasil, desde a decisão do Senado, no início deste mês, de levar para a frente o impeachment da presidente Dilma Rousseff

Temer, que a substitui durante o julgamento e ficará depois no seu cargo, caso Dilma seja considerada culpada, deixou já a promessa de abrir o Estado a investimento privado. Se este plano de privatizações for para a frente, pode ser o mais ambicioso que o Brasil porá em prática em duas décadas. 

Moreira Franco recusou-se a dar uma estimativa de quanto os cofres do Estado podem amealhar, mas duas fontes perspetivaram um encaixe entre 9 mil milhões e 18 mil milhões de euros nos próximos dois anos.