Os trabalhadores da empresa de tratamento de resíduos da península de Setúbal (Amarsul) cumprem hoje e na sexta-feira dois dias de greve, com o feriado do 1º de maio pelo meio, em protesto contra a privatização da empresa.

«Esta greve é um protesto contra a privatização da EGF [Empresa Geral de Fomento], que controla a Amarsul e mais dez empresas de tratamento de resíduos, mas é também para exigir o cumprimento do Acordo de Empresa e a progressão de carreiras», disse à Lusa o sindicalista José Lourenço.

«Contamos com uma boa adesão dos trabalhadores», acrescentou o delegado do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, adiantando que a Amarsul tem, atualmente, 198 funcionários.

Segundo dados fornecidos pela União de Sindicatos de Setúbal, a EGF tem um património avaliado em cerca de mil milhões de euros e registou lucros de mais de 62 milhões de euros nos últimos três anos.

A Associação de Municípios da Região de Setúbal, que também contesta a privatização da EGF, acusa o Governo que querer entregar aos privados empresas que fizeram investimentos públicos significativos que poderão vir a ser desperdiçados no futuro.

A Amarsul é uma das onze empresas controladas pela EGF (sub-holding do grupo Águas de Portugal responsável pela recolha e pelo tratamento de resíduos através dessas concessionária), cuja privatização foi já promulgada pelo Presidente da República, mas os trabalhadores contestam o processo, alegando que se trata de um setor rentável para o Estado.