De acordo com o cálculo da recém-criada Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis, o preço grossista semanal do litro de gasóleo é de 1,136 euros por litro, valor que até ao cliente final sofre o acréscimo dos custos de distribuição e a margem bruta do comercializador, o que representava na quinta-feira mais 12 cêntimos, segundo a média de preços publicada pela Direção Geral de Energia e Geologia.

Mas no posto de abastecimento, considerado mais económico pela DGEG, que fica em Ansião, no distrito de Leiria, o preço do litro de gasóleo era de 1,172 euros. Também o preço da gasolina no mesmo posto custava apenas mais três cêntimos do que o preço de referência (1,349 euros por litro face aos 1,317 de preço de referência).

A ENMC decidiu deixar de fora do cálculo dos preços de referência os custos de distribuição e a margem bruta de comercialização para não perturbar o objetivo da medida do Governo.

Na proposta apresentada na quinta-feira ao Conselho Nacional de Combustíveis, a entidade liderada por Paulo Carmona opta pelo preço de abastecimento grossista «para evitar a complexidade da consideração das múltiplas geografias e do funcionamento de postos de abastecimento ou das cadeias logísticas capilares de transporte de botijas».

«Dessa forma, resultariam uma multiplicidade de preços de referência, contribuindo para um excesso de informação que perturbaria o alcance da medida», justifica em comunicado.

O Governo explicou a decisão de fixar preços de referência para os combustíveis com a possibilidade de «escrutinar os valores praticados» e «permitir verificar, concelho a concelho, as situações que mais se afastam desses valores».

A missão ficou sob a responsabilidade da ENMC, sucessora da antiga EGREP.

A metodologia de cálculo dos preços de referência será ainda objeto de apreciação pelo Conselho Nacional dos Combustíveis, onde estão representados os principais intervenientes no mercado - APETRO, ACP, DECO, ANTRAM, ANTRAL, APPB, ANAREC, APDC, CAP, CIP, APED e EDIP.