O Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social esclareceu esta segunda-feira que a grande maioria dos empregos criados em Portugal nos últimos seis trimestres são «duradouros, não precários».

A Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis acusou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, de fazerem «declarações sem qualquer sentido de que há menos trabalho precário e de que a emigração já não é um problema».

Fonte oficial do gabinete de Pedro Mota Soares esclareceu que os dados que têm sido citados pelo Governo, são os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística.

«Segundo os dados do INE, Portugal criou 210 mil postos de trabalho nos últimos 6 trimestres. Há hoje mais 210 mil empregos e estamos a falar de criação líquida de postos de trabalho», refere o gabinete.

«A sua esmagadora maioria a tempo completo. É uma percentagem superior a 80% em contratos sem termo, isto é, empregos estáveis nos quadros das nossas empresas. Empregos duradouros, não precários», acrescenta.

Para assinalar o Dia Europeu de Ação Contra a Precariedade e a Injustiça Social, os Precários Inflexíveis entregaram esta segunda-feira a todos os grupos parlamentares um conto de Filomena Marona Beja que, segundo os membros da associação, espelha a «realidade» atual sobre a emigração e a precariedade laboral.

«Pretendemos entregar este conto de forma simbólica, mas é um conto que espelha a realidade», disse à Lusa João Camargo, da Associação de Combate à Precariedade, adiantando que o conto fala «sobre emigração, precariedade e como as pessoas são empurradas para fora do país».

João Camargo sublinhou que é um conto «mais próximo da realidade do que as declarações absolutamente erráticas e sem qualquer sentido que têm sido feitas por parte de membros do Governo».

João Camargo afirmou que o trabalho precário é atualmente «muito mais acentuado do que já alguma vez foi», tendo existido «uma reconfiguração total do trabalho que se constitui muito com base na precarização e na emigração».