O menos de um mês do Natal, acelera a azáfama das compras e os comerciantes ganham com o fato de este ano os feriados de dezembro darem direito a fim-de-semana prolongado, mas sobretudo o seu bolso não devem ficar penalizado quando fizer as contas ao que gastou.

Não gastar mais do que temos será sempre o ideal, mas esta terça-feira, no espaço da Economia 24, no "Diário da Manhã" da TVI, contámos com a presença da responsável por Educação Financeira, da Associação de Instituições de Crédito Especializado, Susana Albuquerque para nos dar umas dicas preciosas para os gastos desta época.

Os orçamentos são todos diferentes, mas também é verdade que quanto mais temos mais gastamos. Que percentagem devemos deixar, do orçamento mensal, para a época do Natal?

No caso do subsídio de Natal, o ideal, seria não gastarmos mais de metade neste época e conseguirmos poupar metade, para aumentar a nossa reserva financeira para imprevistos.

Mas há quem não tenha subsídio.

Sim. Por isso, é essencial, este mês, por vezes porque recebo mais dinheiro na conta e tenho a ilusão que preciso de fazer menos contas, continuar a fazer as contas e o orçamento. Perceber tudo o que vou gastar. Porque tenho mais dinheiro, mas também vou ter mais despesas. Há despesas obrigatórias: a consoada, aqueles presentes que achamos que temos, mesmo, que comprar. Feitas essas compras obrigatórias percebo quanto sobra e, com base nisso – não devo esquecer que há coisas que posso fazer (exemplo: vale de tempo, um bolo ou compota), que são mais marcantes e representam uma economia financeira – avalio o que ainda posso gastar em presentes.

Não gastar tudo é o melhor conselho?

Claro que sim. Até porque sabemos que a poupança dos portugueses têm vindo a diminuir e é essencial recuperarmos essa poupança, para cada um, por causa dos imprevistos da vida, mas também para e economia como um todo, para poder prosperar.

Com a “loucura” dos apelos à compra como podemos escolher os melhores preços?

Temos excesso de oferta e informação e isso torna mais difícil a nossa decisão. Devemos, com a tal lista, começar por comparar, usando a internet. Se não for possível, então irmos aos sítios e antes de comprar, comparar. Entramos todos num modo mais apressado nesta altura, mas o ideal é começarmos agora. Ainda vamos a temos. Estamos no início do mês de dezembro, podemos ainda fazer essa comparação antes de comprar.

Gasta-se mais na internet?

Está provado que sim. Pagamos com cartão, por isso não sentimos o dinheiro a sair do bolso. Só vai sair, provavelmente, no mês seguinte e isso faz com que entremos em modo de compra e gastemos mais. Mas a internet pode ser usada a nosso favor para nos ajudar a comparar preços, tal como os folhetos. A minha sugestão é: não compre nada antes de comparar o preço entre os mercados, as grandes superfícies, as pequenas lojas de comércio local e a internet.

A usarmos o cartão de crédito que cuidados devemos ter?

A usar devo utilizar o período de graça. Ou seja, o período de crédito grátis que, normalmente, vai até 50 dias. Posso comprar hoje e só vou pagar no final de dezembro. É o ideal porque não pago juro e, se tiver disciplina financeira, posso tirar partido para pagar no final do mês seguinte, mas se o vou usar como um cartão de crédito tenho que ter a certeza que aqueles pagamentos, que vou fazer todos os meses, a partir daqui e durante o próximo ano, pelo menos, que tenho capacidade financeira para os fazer.

Há muitos portugueses a exceder o orçamento nesta altura do ano?

Normalmente só vemos isso em janeiro. Estamos a sair de uma crise, e ainda estão presentes os sacrifícios que todos tivemos que fazer. Não nos entusiasmemos. O quanto gostamos das outras pessoas não precisa de ser demonstrado com dinheiro. Podemos enviar um poema, escrever uma carta sentida, oferecer-nos para passar um tarde de qualidade a dar um passeio à beira rio ou no campo. Devemos lembrar-nos que, se calhar, o melhor presente que podemos dar são o nosso tempo e afeto.