A poucos dias de entrar em vigor o diploma que obriga os postos de abastecimento de combustível a disponibilizar os combustíveis simples, ainda não se sabe quanto é que vão custar e de que forma serão disponibilizados aos consumidores.

No caso do preço, cabe à Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis fixar um valor de referência, à semelhança do que faz para os restantes combustíveis, o que só irá acontecer no dia 17, diz em que a ENMC vai lançar um novo site, apurou a TVI. Mas os preços de referência não refletem os custos de distribuição e comercialização, ou seja, é preciso adicionar a margem dos operadores.

Contactados pela TVI, os operadores não quiseram revelar a que preço vão vender combustível simples, e também não querem antecipar se este vai estar disponível em todas as ilhas de cada estação de serviço «Faz parte da nossa estratégia comercial», justificam. Mas fontes do mercado avançam que o desconto obtido será pouco menor que o combustível aditivado, o dito «normal». Ou seja, vai continuar a ser mais barato abastecer nos postos «low-cost».

E porquê? Segundo os operadores, os postos «low-cost» conseguem estes descontos, de cerca de oito a 12 cêntimos por litro, porque a estratégia comercial é diferente. No caso dos hipermercados, o objetivo é captar clientes através dos descontos nos combustíveis, através de compras na superfície comercial, por exemplo. Noutros casos os descontos existem porque os postos não oferecem qualquer serviço adicional (tabacaria, papelaria, etc) e funcionam com menos recursos humanos.

A Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas diz que esta medida «não faz sentido num mercado liberalizado» e que vai criar várias assimetrias.

«A obrigatoriedade de comercialização de combustíveis sem aditivos nos postos convencionais, como oferta adicional à existente, para além de reflexos muito negativos no Valor das Marcas, implicará custos a nível da infraestrutura para acomodar mais dois tipos de combustíveis, sendo nalguns casos de todo inexequível por inexistência de espaço físico para instalar mais tanques, ou até por limitações nos termos do licenciamento. Para além disso, esses custos adicionais, numa atividade cuja rentabilidade tem caído drasticamente, são contrários ao objetivo de descida de preços e aos interesses de consumidores e operadores».

Questionada sobre uma eventual queixa a Comissão europeia por ingerência do Estado no mercado, a Apetro diz apenas que vai ver a evolução do assunto. 

Contas da Autoridade da Concorrência a que a TVI teve acesso mostram que no ano passado a quota dos supermercados no setor do abastecimento do combustível era de 22,2%, o que significa que nos últimos sete anos duplicaram a sua presença no mercado. A «fatia» dos independentes era de 7,3%. A Galp continua a ter a maior quota, entre 25 5 a 30% do mercado. A BP e a Respsol partilham uma quota semelhante, entre 15 a 20%. A Cepsa tem uma quota de 5 a 10%.