Os portugueses são, a par com os búlgaros, os europeus mais insatisfeitos com a vida que levam. São, também, dos mais descrentes quanto a uma evolução positiva no futuro próximo.

62% dos portugueses inquiridos declaram-se insatisfeitos, «de uma forma geral» com a vida que têm. Apenas 38% estão satisfeitos. Este valor só é igualado pela Bulgária. A média da União Europeia (UE) aponta no sentido contrário, onde 75% dos cidadãos estão satisfeitos com a vida.



Os dados são de um inquérito divulgado hoje pela Comissão Europeia. O «Eurobarómetro» especial sobre os «Europeus em 2014» é dedicado às perceções dos europeus relativamente à atual situação económica e às suas principais preocupações. Este relatório, divulgado hoje, mostrou ainda que os portugueses têm mais confiança na União Europeia do que no Governo .

Os europeus mais insatisfeitos com a vida são portugueses (62%) e búlgaros (62%), seguidos dos gregos (58%) e romenos (53%). Por outro lado, os mais satisfeitos são os suecos e dinamarqueses (97%), finlandeses (95%) e luxemburgueses (94%). Apesar do contexto económico da Espanha, uma grande maioria dos espanhóis (71%) mostra-se satisfeito com a vida.

Quando questionados sobre a situação económica no seu país, 97% dos portugueses inquiridos classificam-na como «má ou muito má». Este valor é apenas igualado pela Grécia e fica muito acima da média da UE, que está nos 65%.

Ao nível da situação financeira do agregado familiar, os portugueses são dos mais descontentes. 67% classificam-na de forma negativa.

Os portugueses estão também muito insatisfeitos com a sua situação profissional. 51% dos inquiridos classificam-na como má (40% consideram-na boa e 9% não sabem ou não respondem). Este é o valor mais alto da UE, a par da Hungria.

Por último, quanto às expetativas para os próximos 12 meses, apenas 17% dos portugueses acham que a vida vai melhorar. Este é o valor mais baixo de toda a UE. Há, ainda, 45% de portugueses que a pensa que a situação económica vai piorar, valor apenas superado pela Grécia (56%).

O inquérito teve lugar em toda a UE durante o mês de março. Em Portugal foram inquiridas 1.025 pessoas pela TNS Portugal.