O Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom congratulou-se hoje com a forma «respeitosa» como a Altice recebeu os representantes dos funcionários, embora não haja abertura da empresa para assumir um compromisso que garanta os direitos adquiridos.

«De uma forma genérica, estamos satisfeitos porque há, de facto, esta vontade de compromisso, de diálogo, de continuidade de negociação, de respeito pelo acordo coletivo de trabalho e pelos direitos com os sindicatos», disse o presidente do sindicato, Jorge Félix.

O sindicalista, que falava aos jornalistas no final de uma reunião com representantes da Altice, lamentou o facto de a multinacional francesa não querer assinar um acordo que garanta a manutenção dos direitos adquiridos dos trabalhadores da Portugal Telecom, conforme pretendiam os sindicatos.

«Não nos parece que a Altice esteja virada para esse tipo de compromisso ou de obrigações entre as partes. Não fechou totalmente a porta, mas não nos parece que haja um grande interesse», disse Jorge Félix.

Embora não haja «essa disponibilidade» da parte da Altice, o presidente do sindicato destacou como positivo o facto de os representantes da empresa francesa se ter comprometido a manter o diálogo com os sindicatos no âmbito da reestruturação da empresa.

Na passada terça-feira, em Paris, o cofundador português da Altice afirmou que a sua empresa poderá vender a Cabovisão, para garantir que a Autoridade da Concorrência possa viabilizar o negócio da compra da PT Portugal.

Armando Pereira falava aos jornalistas em Paris, à entrada para um pequeno-almoço de trabalho com o Presidente da República portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, que se encontrava de visita à capital francesa.

O grupo Altice vai comprar a PT Portugal, que tem os serviços "Meo"' e "Sapo", entre outros, por 7.400 milhões de euros, depois de os acionistas da PT SGPS terem aprovado o negócio, em janeiro passado.

A compra da PT Portugal, que foi aprovada em assembleia de acionistas a 22 de janeiro passado, irá provocar algumas mudanças na estrutura da administração, de acordo com Armando Pereira, que garantiu que os postos de trabalho «não estão em perigo», podendo apenas existir mudanças na gestão.