O primeiro-ministro deixou bem claro que «vêm aí tempos difíceis» na economia portuguesa, falando durante um balanço do programa Simplex, que serviu para a apresentação de novos serviços do Portal da Empresa, na Exponor, em Matosinhos.

«Esses tempos exigem o melhor dos empresários e da administração pública, sendo que o Governo tem uma estratégia clara: a estabilização do sistema financeiro, a facilitação do acesso ao crédito e um maior investimento público para dinamizar a economia e o emprego», afirmou José Sócrates.

O Simplex, criado em 2006, tem como principal objectivo «reduzir os custos administrativos combatendo a burocracia», «num esforço continuado para modernizar a administração pública», conforme voltou a sublinhar o primeiro-ministro.

«Serviço às empresas é exemplar»

«Esta linha política deve manter-se uma prioridade, sendo que já se transformou em cultura política, essencial para a atracção do investimento e para a nossa economia a nível global», garantiu.

Para José Sócrates, a administração tem de ser «mais amiga do empreendedorismo, do risco, dos empresários que gostam de inovar e de evoluir».

Como exemplos do «serviço às empresas exemplar» deste Governo, o primeiro-ministro destacou «as empresas criadas online», «o fim das certidões negativas ao Fisco e à Segurança Social», o «conceito de balcão único», «a informação empresarial simplificada por uma única entidade».

Presidente da AEP lamenta concessão de crédito tardia

No discurso que antecedeu a intervenção de Sócrates, José António Barros, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), congratulou-se pelo «conjunto de medidas facilitadoras do registo da firma e do licenciamento de novas empresas», mas referiu que é «indispensável que as medidas de apoio financeiro anunciadas pelo Governo cheguem efectivamente aos seus destinatários».

«O que disse foi que era necessário que o efeito que as medidas que foram tomadas a favor do sistema financeiro, que permitiram que a Euribor baixasse significativamente e que restabeleceram a confiança entre as diversas instituições bancárias, cheguem também às empresas», esclareceu.

«A primeira linha (de crédito) esgotou em três semanas, a segunda linha está em 75 por cento e a terceira só estará efectiva a partir de 2 de Janeiro. A concessão geral de crédito às empresas mais pequenas é que está em causa. O dinheiro está a chegar com muita dificuldade e a preços muito altos», criticou.