O primeiro-ministro quer que as exportações portuguesas ultrapassem os 50% do PIB em 2020 e que, já daqui a dois anos, em 2017, se situem em 46%.

O objetivo é, de resto, atingir  níveis semelhantes aos de países europeus da mesma dimensão.

"Em 2009, o peso das exportações no produto (PIB) era apenas de 29%, em 2014 ultrapassou os 40%, mas nós queremos alcançar até 2020 uma meta superior a 50%, com 46% até final de 2017, o que nos colocará em níveis semelhantes aos de outros países europeus da nossa dimensão", disse Passos Coelho, perante uma plateia de empresários portugueses e moçambicanos.

“Nos últimos quatro anos mostrámos que é possível recuperar competitividade e sem recurso a desvalorizações cambiais, através de um esforço público e privado, de reorientação de recursos e prioridades, que nos oferece mais condições de sustentabilidade do nosso crescimento económico”


“Pela primeira vez em décadas a nossa balança é excedentária, o nosso défice orçamental situar-se-á este ano abaixo de 3%, o que nos permitirá pela primeira vez desde a existência do euro sair do procedimento por défice excessivo”, sublinhou, durante a sessão de abertura do fórum de negócios Moçambique - Portugal, que decorreu hoje de manhã na sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa.

O chefe de Governo acrescentou também que o país tem ganho quota de mercado nos mercados de exportação.

“Também diversificámos, com uma extraordinária rapidez, as trocas comerciais para fora da União Europeia, e com a retoma económica da Europa e o aprofundamento do mercado interno, beneficiaremos também do crescimento económico dos nossos parceiros mais próximos, como de resto está bem patente já com o caso espanhol”


Passos Coelho considerou ainda que “todas estas conquistas, todos estes valores”, revelam que Portugal tem “uma base muito mais sólida e sustentável para o crescimento económico futuro, já não assente meramente no consumo interno financiado por excesso de endividamento público e privado, mas antes da produtividade, na criatividade, na inovação e na competitividade.

“Queremos que a economia portuguesa seja uma das mais abertas da Europa para que possamos crescer sem estarmos limitados pela pequena dimensão do nosso mercado interno”, sublinhou o primeiro-ministro, acrescentando que o país percorreu “um exigente caminho de eliminação de desequilíbrios estruturais de que a economia padeceu durante demasiado tempo”.

Para o primeiro-ministro, o “crescimento económico e a criação de emprego são as principais apostas”, que vincou que “a alavanca para a prosperidade futura” passa por “reformas estruturais abrangentes” feitas até aqui e que continuarão no futuro.

“Tanto Moçambique como Portugal estão numa conjuntura positiva de crescimento” que deve ser aproveitada: “Estamos atentos às oportunidades que nos esperam, aguardamos com expectativa que a aposta seja nos dois sentidos e que comecem a surgir investimentos também de empresas moçambicanas em Portugal”, declarou.

Na sessão de abertura intervieram também o Presidente da República de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, o presidente da Aicep Portugal Global, Miguel Frasquilho e o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Rogério Manuel.