O ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, disse esta sexta-feira ser «muito importante» apurar «responsabilidades» relativamente à eventual falsificação de documentos no caso dos swaps, defendendo a necessidade de reflexão sobre a cultura política em Portugal.

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À margem da tomada de posse do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), no Porto, o ministro foi questionado sobre toda a polémica dos swaps - que hoje resultou na troca de acusações entre PS e PSD - tendo começado por responder que «aquilo que se deu nos últimos dias deve-nos levar a refletir todos sobre a cultura política em Portugal».

Para Poiares Maduro «é muito importante que se apurem responsabilidades relativamente a essa eventual falsificação de um documento», sobre a qual existem «indícios muito fortes que pode ter ocorrido».

«Por um lado, foi construída uma história, que era uma história de que o Governo anterior teria recusado e teria impedido o negócio, que era pouco ético e legal, até que agora verificamos que não é exatamente verdade, que esse Governo tinha até interesse e considerava absolutamente normal as operações em causa», disse.

Mas, na opinião de Poiares Maduro, o que lhe parece «particularmente preocupante e grave», competindo «às autoridades judiciais averiguar», é o facto de «ter existido realmente, como há fortes indícios de que existiu, a falsificação de um documento».

Realçando que não sabe «quem fez essa falsificação», o governante sublinhou que esta «se traduz na manipulação da comunicação social» e isso «é um atentado à própria democracia».

O governante referia-se à apresentação do Citigroup que dava a conhecer a participação do ex-secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge, na equipa responsável por propor em 2005 ao Governo de José Sócrates swaps para reduzir artificialmente o défice orçamental.

O documento divulgado pela Visão em primeiro lugar, na quinta-feira passada, tal como a Lusa nesse mesmo dia, e mais tarde a SIC, tinha um organograma onde está o nome do ex-governante. Esse documento é contestado pelo Governo, que diz que o documento foi forjado para incluir os nomes da equipa do Citigroup, apontando incongruências que deviam ser identificadas.

No dia seguinte aos comunicados do Ministério das Finanças que apontavam estas incongruências entre os dois documentos, Joaquim Pais Jorge pediu demissão.

O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa disse esta terça-feira que vai abrir um inquérito para investigar eventual «ilícito criminal» na alegada manipulação da apresentação do Citigroup.