O ministro da Economia, António Pires de Lima, afirmou esta quinta-feira que o Governo tem «todas as razões para acreditar» que as suas previsões «são mais consistentes» do que as que foram feitas pelo FMI ou pelo BCE.

Pires de Lima está ser ouvido em reunião conjunta das comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública e de Economia e Obras Públicas, no âmbito do debate na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2015 (OE2015).

«Temos todas as razões para acreditar que as nossas previsões são mais consistentes do que aquelas são dadas por organismos internacionais», disse o governante, em resposta a questões do deputado socialista Pedro Nuno Santos, citado pela Lusa.

«Aliás, organismos internacionais que os senhores deputados sempre criticaram no passado, ou é agora que o PS se vai colar às posições e previsões do FMI e do BCE? Não percebo este alinhamento de posições quando os senhores sempre os criticaram e às vezes até têm dificuldade de os receber», comentou o ministro.

Em média, as previsões do BCE e do FMI «apontam para um desvio de 0,4% no PIB connosco é só 0,2%», disse Pires de Lima, acrescentando que isso demonstra que as instituições «decidiram ser conservadoras com todos os países do euro», pelo que «não é uma situação específica de Portugal».

«Não vale a pena perder tempo a analisar cenários macroeconómicos feitos em gabinetes, o que me interessa é a realidade concreta das empresas a operar em Portugal que está a desmentir as profecias negativas das previsões há 18 meses», disse.

O ministro, que apontou «falta de pudor» ao deputado socialista sobre as críticas tecidas ao executivo, criticou a posição do PS em relação aos dados do desemprego.

«Os senhores ainda estão a validar a previsão do BCE, que é de 13,6%, quanto ontem conhecemos dados do desemprego que são de 13,1%», criticou o governante.

António Pires de Lima lembrou que foram criados 100 mil postos de trabalho, dos quais 38 mil na indústria transformadora, 28.000 no comércio por grosso e retalho e 19 mil nas atividades financeiras e seguros.