O ministro da Economia, António Pires de Lima, disse hoje que os investidores brasileiros têm interesse em Portugal, mas considerou «essencial» irem ao país conhecerem a realidade portuguesa atual e terem contacto direto com as empresas nacionais.

«A primeira coisa é fazer com que os investidores brasileiros, nomeadamente os grandes industriais, conheçam Portugal. Não é possível investir nem abrir oportunidades, sem se conhecer a realidade», disse Pires de Lima, em São Paulo, após a reunião com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a mais poderosa e influente instituição patronal do Brasil.

De acordo com o ministro, «há interesse, mas um grande desconhecimento de uma boa parte do empresariado brasileiro» daquilo que é a realidade de Portugal hoje, «depois de ultrapassado este difícil momento financeiro».

«Creio que é essencial que os investidores brasileiros, nomeadamente a FIESP, venham a Portugal», disse Pires de Lima, adiantando que já ficou «pré-sinalizada» uma visita de empresários brasileiros a Portugal, já no último trimestre deste ano, para que se estabeleça uma relação de conhecimento entre as partes, pois só assim «é possível falar de investimento concreto».

Durante a reunião, Pires de Lima, a comitiva que o acompanha, e os responsáveis da FIESP identificaram vários clusters de colaboração entre Portugal e o Brasil, em setores como agroindustrial, floresta, centros de serviços, assim como da petroquímica, plásticos e moldes, entre outros.

Pires de Lima também se referiu ao plano estratégico de investimento de infraestruturas, que considerou poder ser uma das oportunidades para os empresários brasileiros, e notou o «interesse manifestado» pelo projeto de aumento da capacidade dos portos portugueses, nomeadamente de Sines, Lisboa e Leixões.

António Pires de Lima iniciou hoje em São Paulo uma missão de três dias, sendo acompanhado pelo secretário de Estado adjunto e da Economia, Leonardo Mathias, e pelo presidente da AICEP, Miguel Frasquilho.

A FIESP é um organismo privado brasileiro e representa cerca de 130 mil indústrias de diversos setores, tamanhos e cadeias produtivas e 131 sindicatos patronais, possuindo uma grande influência na economia e política brasileira, devido à representatividade das empresas que a compõem no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.