O banco central do Japão constatou hoje, pela primeira vez em mais de dois anos, que a economia nipónica começa a dar sinais de recuperação, ao anunciar a manutenção das medidas agressivas de flexibilização monetária.

«A economia do Japão está a começar a recuperar moderadamente», refere um comunicado da instituição divulgado depois de uma reunião de dois dias, e citado pela Lusa.

O banco central nipónico salienta que acordou manter a compra de dívida pública e ativos de maior risco iniciada em abril para duplicar a base monetária e acabar com a deflação que afeta a terceira economia mundial há quase 15 anos.

«Continuaremos com as operações para incrementar a base monetária a um ritmo anual entre 60 e 70 biliões de ienes» (entre 462.000 e 539.000 milhões de euros), refere a mesma nota.

Quanto ao objetivo de atingir uma inflação de dois por cento num prazo de dois anos, o Banco do Japão constatou que atualmente o Índice de Preços no Consumidor deixou de retroceder, o que sugere uma melhoria da situação.

«Espera-se que a economia do Japão recupere moderadamente apoiada na resistência da procura interna e na melhoria das economias estrangeiras», prevê o banco central.

A instituição salienta, porém, que continua a existir um «elevado grau de incerteza» em relação ao futuro devido à crise da dívida europeia e ao ritmo de crescimento dos Estados Unidos e das economias emergentes.

O Banco do Japão indicou que «manterá a sua flexibilização monetária quantitativa e qualitativa durante o período que for necessário com o objetivo de estabilizar os preços em 2 %».

Quanto à situação do país, o banco constata que o investimento de capital «revela sinais de recuperação, em linha com a melhoria dos lucros empresariais», impulsionados principalmente pela depreciação do iene, a moeda local, e que o investimento público «também continua a aumentar», verificando-se ainda uma melhoria no investimento imobiliário e na produção industrial.

O consumo privado, que sustenta 60 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), «continua sólido» perante a melhoria do otimismo dos consumidores, concluiu a instituição.