A Associação Industrial de Angola defende a necessidade de recorrer ao endividamento externo para contornar as dificuldades orçamentais do país, rejeitando que se apliquem cortes na saúde e educação.

«O nosso nível de endividamento externo ainda é baixo e dá à administração a possibilidade de ir buscar recursos. Até porque, agora, as taxas de juro no exterior são baixas», adiantou à Lusa o presidente da associação, José Severino.

O responsável adianta a possibilidade de uma quebra de 14 mil milhões de dólares (cerca de 12,4 mil milhões de euros) no orçamento do estado para este ano.

O possível corte está relacionado com as sucessivas quedas da cotação do petróleo nos mercados internacionais, principal fonte de receitas fiscais em Angola.

 José Severino ainda refere ajustamentos em projetos nacionais, como «cortes em alguns investimentos públicos» e em «despesas que estavam a ser empoladas». Contudo afirma também: «Espero que não se mexa na saúde e na educação. Tem que ser feito um esforço para não se mexer nestes setores».

 Segundo a previsão do Ministério das Finanças, a dívida pública angolana será de 48,3 mil milhões de dólares (42 mil milhões de euros) em 2015, o que corresponde a 35,5% do PIB, entre dívida externa (24,5%) e dívida contraída internamente (11%).

 Em 2012 a dívida pública angolana era cerca de 24,8 mil milhões de dólares (21,8 mil milhões de euros), representando assim 10,9% do PIB nacional.