“Uma hora passa muito depressa”. A constatação do ministro das Finanças surgiu quando o relógio já só permitia responder a mais uma pergunta entre aquelas que foram colocadas pelos cidadãos nas redes sociais, com a hashtag #PSemDialogo, numa iniciativa do seu partido. 

Mário Centeno estava sentado numa mesa na sede nacional do PS, acompanhado por um ajudante que controlava a chegada de perguntas. Mas foi o ministro o protagonista, em discurso direto, tratando os internautas pelo nome, enquanto respondia.

Para além de perguntas expectáveis sobre impostos - deu a notícia de que o IRS vai baixar para o segundo escalão -, salário mínimo, recibos verdes, salários na função pública e cortes na saúde, por um lado, e dívida, défice, investimento, por outro, houve outras mais políticas. Pela primeira vez, falou sobre a comparação feita pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, entre si e Cristiano Ronaldo. E, claro, a possível eleição para presidente do Eurogrupo. 

Acho muito importante a referência elogiosa para a economia portguesa quando comparam os nossos sucessos orçamentais e económicos ao enorme sucesso que o Cristiano Ronaldo tem no futebol. Temos de esforçar-nos para sermos verdadeiramente, todos, um Cristiano Ronaldo. Trago esse elogio, que nos foi dado, porque também como o Cristiano sente e diz repetidamente, os resultados que Portugal está a atingir são trabalho de equipa e devem ser".

O elogio de Schauble a Centeno surgiu numa altura em que Portugal saiu do Procedimento por Défice Excessivo (alcançando um défice abaixo de 3%) e que o nome de Centeno é apontado para a liderança do Eurogrupo. O ministro continua a fugir um pouco a esse cenário. "Ser ou não ser presidente do Eurogrupo não é matéria que me ocupe neste momento". Ainda assim, quando a questão da presidência se colocar, "é muito importante que Portugal tenha uma posição muito forte nessa matéria". Seja ele o ministro ou outro no seu lugar. 

O ministro das finanças que estiver nessa altura será com certeza opção muito válida".

 

O país está a crescer, Portugal livrou-se do Procedimento por Défice Excessivo (PDE), a taxa de desemprego ronda os 10%. Centeno está confiante e a última pergunta foi mesmo sobre qual o momento alto desde que é ministro.  "Acabamos em alta", gracejou. 

É difícil dizer, provavelmente o momento mais alto desejamos que seja amanhã e não que já tenha sido. Temos promovido conjunto de medidas que trouxe confiança, crescimento, emprego, fim da imigração, crescimento da população ativa. Sou ministro, mas confesso que talvez por deformação profissional seguia atentamente as estatísticas sobre aa população ativa. O momento em que me senti mais reconfortado com tudo o que estava a fazer - e sei que era também resultado do que eu estava a fazer nas finanças – foi quando, nas estatísticas, verifiquei que mercado de trabalho estava a crescer – há menos desencorajados e muito mais emprego".

Lá juntou também, "para os colegas das finanças não ficarem zangados", a saída do PDE, como um "reconhecimento" e também um momento alto, tal como poder conversar com os portugueses numa altura em que a economia está a corresponder.  

Tem, por isso, uma expectativa bem definida: continuar a crescer (no primeiro trimestre o PIB aumentou 2,8%) com a imagem da bicicleta de que António Costa tanto fala e o seu ministro aproveitou também para pedalar. "A bicicleta é um veículo que requer esforço e a perícia é a produtividade. Quando conseguimos trazer a nossa produtividade para níveis elevados, conseguimos sustentar níveis de crescimento elevados".

Penso que estamos a aproximar de níveis de crescimento potenciais acima de 2% e acho que é um indicador muito favorável. Como lá chegámos? Conjunto de reformas, no ultimo ano muito centradas no sistema financeiro, educação, politicas jovens mercado de trabalho, reverter a imigração e com o ritmo de crescimento mais elevado do século XXI em Portugal. Se esforço dos últimos meses for mantido podemos almejar manter nível de crescimento"

Uma chapada de luva branca para quem o desacreditou e ao Governo? A promessa é de que "vamos com certeza conseguir chegar ao fim da legislatura com todos os indicadores económicos acima daquilo que rotularam como um programa ambicioso e sem fundamento".

O ministro nunca foi deputado e era académico até pegar na pasta, mas tem, "obviamente", "muita honra" em desempenhar o cargo. "Estou de livre e espontânea vontade nestas funções".