O banco central da Alemanha, o Bundesbank, defende que o aumento da idade legal da reforma para 69 anos poderá aliviar um pouco a pressão sobre o sistema de pensões do país. Uma pressão que tem resultado do envelhecimento da população. Essa sugestão, contudo, não seria para aplicar já: a subida seria gradual para chegar a esse patamar em 2060.

O relatório mensal do Bundesbank, publicado na segunda-feira, e que é citado pela Bloomberg, argumenta que as mexidas na idade da reforma feitas por governos sucessivos - a última passagem definida é dos 65 para 67 anos até 2030 - não assegura que venham a receber o mesmo a partir de 2050 (por causa da taxa de substituição de salário por pensão). 

É que a descida das taxas de juro pode traduzir-se em menos rendimento para quem poupa a pensar na velhice. E os cidadãos que não optam por um seguro privado apoiado pelo Estado podem enfrentar problemas ainda mais cedo. 

Como as coisas estão, o aumento da pressão sobre aqueles que pagam as contribuições, alidado a uma "crescente subida de pagamentos, em geral, tem consequências negativas sobre o desenvolvimento económico" e, para evitar isso, "a idade legal de reforma, em última análise precisa de ser ajustada".

O Bundesbank defende ainda, e nesse sentido, mudanças nos parâmetros de atribuição das reformas. "A incerteza sobre a estabilidade financeira na velhice poderia ser reduzida se ficasse claro que parâmetros como a idade legal da reforma, o seu valor e as taxas de contribuição podem ser ajustados no longo prazo". Basear apenas o sistema de pensões nas contribuições já não resulta, adverte.

Ainda recentemente, na Bélgica, milhares de pessoas fizeram greve após o aumento da idade da reforma para os 67 anos. 

Em Portugal, a idade de acesso à reforma para usufruir da pensão completa irá aumentar um mês em 2017 para 66 anos e 3 meses, fruto da evolução da esperança média de vida.