O ministro da Solidariedade, do Emprego e da Segurança Social anunciou hoje a criação, em 2014 e 2015, de 378 mil respostas de educação, formação, inserção e emprego para os jovens, num investimento de 1,3 milhões de euros.

Estas medidas fazem parte do Garantia Jovem, um programa europeu que «será um forte contributo para inverter o cenário atual em que se encontram muitos» jovens, disse Pedro Mota Soares na Comissão da Segurança Social e Trabalho, onde foi ouvido durante mais de quatro horas, a pedido do PCP.

«Neste momento estamos a preparar o terreno para a implementação dessa medida que visa garantir que todos os jovens com menos de 30 anos beneficiam de uma oferta de emprego, formação permanente, aprendizagem ou estágio, no prazo de quatro meses após terem ficado desempregados ou terem terminado o ensino formal», adiantou.

Segundo o ministro, há atualmente mais 140 mil portugueses abrangidos pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional do que em 2011, num total de 596 mil pessoas.

Salientou ainda que, em 2013, houve um aumento de 49% das ofertas de trabalho, «traduzindo um cenário de procura mais favorável para todos e um aumento de cerca de 44% das colocações dando nota de que a procura se tem conseguido ajustar mais à oferta».

Também houve «uma semelhante evolução» na formação profissional, cujo número de abrangidos cresceu 28% para cerca de 437 mil pessoas ou na reabilitação profissional, que cresceu 44% (18 mil abrangidos).

Sobre o desemprego, o ministro assinalou a diminuição da taxa em 2,2 pontos percentuais face a fevereiro de 2013, passando de 17,6% para 15,4%, «o que representa a maior descida do desemprego desde janeiro de 1984».

No final do discurso de Mota Soares, o deputado do PCP Jorge Machado afirmou que o ministro fala de «um mundo cor-de-rosa que não tem qualquer tipo de correspondência com a realidade concreta».

«Insiste com um discurso que não bate certo com a realidade e no que diz respeito ao desemprego é ofensivo para quem está em casa sem trabalho», frisou o deputado.

Sempre que é ouvido na comissão, o ministro «anuncia medidas, é milhões atrás de milhões e projetos atrás de projetos anunciados e nunca concretizados. Se somássemos todas as verbas que aqui anuncia para enganar o pagode teríamos dois ou três PIB de investimento relativamente à área da Segurança Social», comentou.

Também o deputado socialista Nuno Sá teceu duras críticas à política do Governo, afirmando que, num ano, a população ativa em Portugal reduziu-se em 66.800 pessoas, tendo a maior parte deles emigrado porque «não tinha futuro em Portugal».

«Assim ao milagre dos menos 96.500 portugueses desempregados temos de subtrair 66.800 que emigraram», comentou. Nuno Sá adiantou que num ano foram gerados 44.900 empregos no setor público entre o quarto trimestre de 2012 e o período homólogo de 2013.

«Mas se a população empregada só aumentou 29.700 indivíduos então não acompanhou o ritmo de criação de emprego no setor público, o que significa que apesar do setor público ter criado 44.900 empregos, mesmo assim foram destruídos 15.200 empregos», sublinhou, acrescentando que a economia privada continua a destruir emprego.

Respondendo a Nuno Sá, o ministro afirmou que o «mérito efetivo desta geração de postos de trabalho não é do Governo, é da economia, é dos empresários é dos trabalhadores».